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Defesa de Daniel Vorcaro critica vazamentos seletivos e aponta construção de narrativas em caso envolvendo Toffoli

Banqueiro manifesta preocupação com "ilações" após relatório da PF citar ligações e pagamentos; enquanto isso, Senado articula acordo para impeachment

Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação )

247 – No centro de uma tempestade política e jurídica que atinge a cúpula do Poder Judiciário em Brasília, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, rompeu o silêncio. Em nota oficial, os advogados do empresário criticaram duramente o que chamam de "vazamentos seletivos" de informações contidas no relatório de 200 páginas da Polícia Federal (PF), entregue recentemente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O posicionamento ocorre em um momento de extrema fragilidade para o ministro Dias Toffoli. Segundo o repórter Renato Souza, setorista do Judiciário em Brasília, senadores já articulam um acordo para votar o impeachment do magistrado, consultando o Palácio do Planalto sobre o apoio à medida em troca da indicação de Rodrigo Pacheco para a eventual vaga aberta no Supremo.

Defesa de Vorcaro pede isenção e respeito ao devido processo

A defesa de Vorcaro enfatizou que a divulgação de trechos isolados do relatório da PF prejudica a busca pela verdade e o direito de defesa. Em nota, os advogados manifestaram:

"A defesa de Daniel Vorcaro manifesta preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa."

O texto reforça que o respeito ao contraditório é "condição essencial" e que se espera dos investigadores uma atuação "isenta e imparcial". A defesa conclui reiterando sua confiança nas instituições e no esclarecimento técnico dos fatos, longe de pressões políticas.

O elo entre o banqueiro e o magistrado

As investigações da PF, detalhadas originalmente pelo jornal O Globo, sugerem uma proximidade atípica entre o banqueiro e Toffoli. O relatório menciona telefonemas, convites para festas e, crucialmente, diálogos sobre pagamentos vinculados ao resort Tayayá, que pertence à família do ministro.

Por outro lado, como revelou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Toffoli já admitiu a interlocutores ter recebido valores da empresa Maridt, da qual é sócio. O dinheiro seria proveniente da venda de ações do resort a um fundo gerido por familiares de Vorcaro em 2021. O ministro sustenta que a transação foi estritamente comercial e lícita.

A decisão agora cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, que analisa se encaminha o pedido de suspeição contra Toffoli. Caso o magistrado seja afastado da relatoria ou o processo de impeachment avance no Senado, o desenho das forças políticas em Brasília poderá sofrer uma alteração estrutural profunda.

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