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EUA apresentaram tarifas antes do prazo combinado para o fim das negociações, diz Mauro Vieira

Brasil responde a mais de 80 questionamentos e tenta evitar sobretaxas de até 37,5%

Jamieson Greer e Mauro Vieira (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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247 - O governo brasileiro contestou nesta quinta-feira (4) as medidas que podem resultar em novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos nacionais. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que Washington antecipou a divulgação de relatórios que embasam as investigações comerciais em curso, contrariando o cronograma acordado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. As informações são do SBT News.

A declaração foi feita após um encontro entre Vieira e Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, em Paris, durante a sessão ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o chanceler, os documentos referentes às investigações conduzidas sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana foram apresentados antes do período definido para o início das negociações entre os dois países.

“Tinham sido apresentadas antes do prazo estabelecido na reunião dos presidentes em Washington, que seria de 30 dias para começarmos, então, a negociar”, afirmou Vieira.

Brasil quer manter negociações com Washington

De acordo com o ministro, Greer destacou que as conversas entre os dois governos vêm ocorrendo de forma positiva. Vieira respondeu reiterando o interesse do Brasil em preservar o diálogo diplomático e comercial, especialmente após a divulgação dos relatórios.

Segundo o chanceler, o representante estadunidense manifestou disposição para dar continuidade às tratativas. “Ele disse que estava pronto a continuar essas conversas, e que sempre o diálogo tinha sido muito bom. Eu falei: ‘Pois é, que ótimo. Então, vamos continuar assim conversando e acertando. Vamos negociar’”, relatou.

Ameaça de novas tarifas preocupa exportadores

A controvérsia ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar, na segunda-feira (2), a intenção de impor uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras no âmbito das investigações da Seção 301.

No dia seguinte, o governo norte-americano anunciou a proposta de uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos oriundos de 59 países, incluindo o Brasil. A justificativa apresentada foi a suposta insuficiência de medidas para combater a circulação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Caso as duas medidas sejam efetivamente adotadas, a carga tarifária poderá alcançar 37,5% sobre determinados produtos brasileiros.

Brasil rebate argumentos dos Estados Unidos

Mauro Vieira afirmou que o governo brasileiro colaborou amplamente com as investigações conduzidas pelas autoridades norte-americanas. Segundo ele, uma força-tarefa formada por diferentes ministérios respondeu a mais de 80 questionamentos apresentados durante as consultas da Seção 301.

O chanceler destacou que o Brasil forneceu todas as informações solicitadas e contestou os fundamentos utilizados para justificar a imposição das tarifas. “Todos os argumentos apresentados, nós provamos que não são legítimos”, declarou.

Vieira também rejeitou a alegação de que seria necessário proteger o comércio norte-americano em relação ao Brasil. Segundo ele, o país acumula déficit comercial com os Estados Unidos e não superávit. De acordo com o ministro, o déficit brasileiro acumulado ao longo dos últimos 15 anos chega a aproximadamente US$ 450 bilhões.

O chefe da diplomacia brasileira afirmou esperar que as explicações apresentadas pelo governo sejam consideradas pelas autoridades norte-americanas e encaminhadas ao presidente Donald Trump em breve.

Questionado sobre a possibilidade de Lula tratar diretamente do tema com Trump durante a próxima cúpula do G7, Vieira afirmou que não há reunião bilateral prevista entre os dois líderes, embora não tenha descartado uma conversa eventual durante os encontros do evento.

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