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Não há motivo para tarifas dos EUA contra o Brasil, afirma Mauro Vieira

Chanceler diz que país seguirá negociando com Washington e rebate argumento americano sobre desequilíbrio comercial

Rio de Janeiro (RJ) - 16/09/2025 - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante reunião de chanceleres do Mercosul e assinatura de acordo comercial, no Palácio do Itamaraty (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
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247 - O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4) que o Brasil não vê justificativa para ser alvo de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos e continuará apostando no diálogo para evitar o agravamento das tensões comerciais entre os dois países. As declarações foram dadas em Paris, durante a reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Ao comentar a proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, Vieira foi enfático ao afirmar que o governo brasileiro respondeu de forma ampla às investigações conduzidas por Washington e considera inconsistentes os argumentos apresentados pelos norte-americanos.

“O que esperamos é que tudo isso seja levado em conta e que fique comprovado que não há razão para sermos alvo de tarifas, porque demonstramos que os argumentos apresentados não são legítimos”, declarou.

O chanceler destacou que um dos principais fundamentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar possíveis medidas comerciais seria a alegação de que o Brasil mantém superávit na relação bilateral. Segundo ele, os números mostram justamente o contrário.

“Não temos superávit com os Estados Unidos. Ao contrário: nos últimos 15 anos, incluindo o déficit do ano passado, acumulamos cerca de US$ 450 bilhões. Portanto, não há razão para medidas de proteção ao comércio americano.”

Vieira acrescentou que, sob essa perspectiva, seria o próprio Brasil quem teria argumentos para adotar medidas de proteção comercial, mas ressaltou que essa não é a estratégia do governo Lula.

“Nós é que temos um grande déficit. Em tese, seríamos nós a considerar medidas de proteção nesse aspecto, mas seguimos dialogando.”

Brasil mantém aposta na negociação

O ministro revelou que conversou informalmente com o representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante o encontro da OCDE. Segundo ele, o dirigente americano sinalizou disposição para dar continuidade às negociações iniciadas após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, no começo de maio.

“Ele se aproximou de mim e conversamos. Disse que estava tendo ótimas conversas com o Brasil.”

Vieira afirmou que reforçou ao representante americano o interesse brasileiro em preservar os canais diplomáticos e avançar nas tratativas. “Eu respondi que é do nosso interesse manter o diálogo.”

De acordo com o chanceler, Greer também manifestou interesse em dar sequência às discussões comerciais. “Mas ele disse que estava pronto para continuar essas conversas e que o diálogo sempre foi muito bom.”

A disposição para a negociação, segundo Vieira, continua sendo compartilhada pelos dois governos. “Ele disse que estão prontos para negociar. Nós também estamos.”

Sem retaliação no horizonte

Apesar da possibilidade de adoção das tarifas pelos Estados Unidos, o ministro deixou claro que o Brasil não trabalha, neste momento, com a hipótese de retaliar Washington. A prioridade segue sendo a construção de uma solução negociada.

“No ano passado, quando começaram essas questões relacionadas a impostos americanos, sempre buscamos negociar. Temos um longo histórico de reuniões, tanto virtuais quanto presenciais, e sempre estivemos dispostos a dialogar”, explicou o chanceler.

Ele ressaltou que as conversas entre os dois países não se restringem ao comércio, abrangendo também temas como segurança pública e combate ao crime organizado. “Queremos seguir conversando”, disse.

Questionado sobre os próximos passos da negociação, Vieira evitou estabelecer prazos para uma definição do impasse comercial, mas garantiu que o governo acompanhará o tema de perto. “Vamos acompanhar tudo o que está acontecendo. O que for necessário fazer, será feito.”

G7 pode abrir espaço para diálogo entre Lula e Trump

O chanceler também comentou a possibilidade de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G7, que será realizada na França entre os dias 15 e 17 de junho.

Embora nenhum encontro bilateral esteja confirmado até o momento, Vieira avaliou que a presença dos dois líderes no evento pode favorecer novas conversas. “Eles estarão todos presentes e haverá oportunidade de conversar. Acho que, havendo ocasião para uma reunião, haverá diálogo.”

Segundo o ministro, a estratégia brasileira continuará baseada na ampliação das relações comerciais e diplomáticas com diferentes parceiros internacionais, enquanto as negociações com os Estados Unidos seguem em curso.

“Vamos continuar conversando. Estou retornando ao Brasil e terei reuniões com os ministérios envolvidos. Seguiremos dialogando. Não há prazo definido para essas negociações.”

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