"EUA vão classificar milícia do RJ ligada aos Bolsonaro como terrorista?", questiona Boulos
Ministro reagiu à decisão dos EUA sobre classificar PCC e CV como terroristas e avaliou que decisão dos EUA contou com articulação de Flávio Bolsonaro
247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, questionou a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e associou o debate às milícias do Rio de Janeiro. A decisão do Departamento de Estado dos EUA deverá entrar em vigor em 5 de junho.
“Será que os EUA também vão classificar como terrorista a milícia do Rio de Janeiro ligada aos Bolsonaro?”, questionou Boulos ao SBT News, em reação ao anúncio feito pelo secretário de Estado Marco Rubio. Integrantes das áreas política e jurídica do governo avaliam que a iniciativa teve influência da articulação de Flávio Bolsonaro junto a autoridades estadunidenses .
O anúncio da classificação das facções como organizações terroristas ocorreu uma dia após uma reunião entre Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O próprio Flávio Bolsonaro admitiu que solicitou formalmente a mudança de classificação das facções brasileiras para organizações terroristas. Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que atualmente reside nos Estados Unidos, também vem atuando junto a autoridades norte-americanas em defesa da medida.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se posicionado contra a classificação e avalia que ela pode abrir precedentes para ingerência estrangeira em assuntos internos do Brasil.
Diplomatas brasileiros argumentam que a legislação brasileira não enquadra facções criminosas como organizações terroristas e temem que a decisão seja utilizada politicamente em meio ao cenário eleitoral brasileiro, além de abrir caminho para sanções e possíveis ações militares contra o Brasil
A iniciativa do governo Trump também gerou reação nos próprios Estados Unidos. Parlamentares democratas enviaram carta ao secretário Marco Rubio alertando que a classificação poderia prejudicar as relações diplomáticas entre Brasil e EUA e abrir espaço para interferências políticas no país sul-americano.
A estratégia de enquadrar cartéis e facções latino-americanas como organizações terroristas vem sendo ampliada pelo governo Trump desde 2025, incluindo grupos ligados ao narcotráfico na Venezuela e na Colômbia.



