Extrema-direita faz ataque coordenado ao militar que denunciou Filipe Martins ao STF
Exposição do denunciante desencadeia ofensiva virtual após prisão de ex-assessor de Jair Bolsonaro determinada por Alexandre de Moraes
247 - A prisão do ex-assessor presidencial Filipe Martins, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou uma reação articulada de setores da extrema-direita contra o militar da reserva que comunicou à Corte uma possível violação de decisão judicial. Martins foi preso pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (2), em Ponta Grossa, no Paraná, após o magistrado converter medidas cautelares em prisão preventiva.
A operação teve origem em um comunicado encaminhado ao STF por um coronel aposentado da Aeronáutica, que havia exercido cargo de diretoria no Ministério da Educação (MEC) até março de 2019. Segundo o relato, no dia 29 de dezembro o militar recebeu uma notificação da rede social LinkedIn informando que seu perfil havia sido acessado por Filipe Martins no dia anterior. À época, o ex-assessor cumpria prisão domiciliar e estava submetido a restrições que incluíam a proibição de utilizar redes sociais.
No e-mail enviado ao gabinete de Alexandre de Moraes, o militar destacou que não mantém qualquer vínculo com Martins. “Eu não possuo relação com o referido indivíduo e não houve qualquer interação que justificasse tal visita”, escreveu. Em seguida, avaliou que o episódio poderia caracterizar descumprimento de ordem judicial. “Entendo que a ocorrência descrita pode indicar possível descumprimento de determinação judicial, o que justifica a comunicação imediata ao órgão competente”, acrescentou, solicitando ainda a preservação de sua identidade.
Após o recebimento da denúncia, o ministro solicitou esclarecimentos à defesa de Filipe Martins. Com base nas informações apresentadas no processo, Alexandre de Moraes decidiu decretar a prisão preventiva do ex-assessor, que foi encaminhado a uma unidade prisional na própria cidade após a ação da Polícia Federal.
A partir da divulgação de informações sobre o autor da denúncia, teve início uma série de ataques coordenados nas redes sociais. O advogado de Filipe Martins, Jeffrey Chiquini, publicou uma mensagem atribuindo a prisão à iniciativa do militar da reserva. “Filipe Martins foi preso por culpa de um militar da Aeronáutica”, escreveu, chamando o denunciante de “cagueta de Moraes” e afirmando que a atitude teria sido motivada por interesse político. “Esse coronel está aposentado e fez isso sem motivo algum, apenas para puxar saco do regime”, afirmou.
Na mesma publicação, o advogado sustentou que o acesso às redes sociais teria ocorrido exclusivamente no âmbito da atuação da defesa. “Explicamos de forma exaustiva que a defesa acessou as redes sociais de Filipe Martins apenas para resgatar postagens antigas e utilizá-las como prova no recurso que está sendo elaborado contra a condenação. Nenhuma postagem foi feita”, escreveu.
O deputado federal bolsonarista Mário Frias (PL-SP) também se somou à ofensiva ao afirmar que a prisão preventiva de Filipe Martins teria sido motivada pelo relato do militar ao STF. Em sua postagem, o parlamentar destacou que o denunciante havia solicitado sigilo sobre sua identidade.
Os ataques ganharam ainda mais intensidade com publicações de Ludmila Lins Grilo, que se apresenta na rede social X como uma “juíza brasileira exilada nos EUA”. Em texto de conteúdo ofensivo e depreciativo, ela dirigiu insultos ao militar responsável pela denúncia e ironizou o envio do e-mail ao Supremo.
Além das declarações, perfis ligados à extrema-direita passaram a divulgar de forma reiterada a identidade do denunciante, acompanhada de imagens pessoais, ampliando sua exposição pública.



