Filha de Marielle Franco aciona ONU e CIDH às vésperas de julgamento dos mandantes do crime no STF
Instituto Marielle Franco acionou organismos internacionais a um mês do julgamento dos mandantes no Supremo
247 - A menos de um mês do julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, marcado para os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026, no Supremo Tribunal Federal (STF), o Instituto Marielle Franco intensificou a articulação internacional em torno do caso. A mobilização busca ampliar a visibilidade do processo e destacar sua relevância histórica para a democracia brasileira e o enfrentamento da violência política.
A iniciativa ocorreu nesta segunda-feira, 26 de janeiro, quando a organização acionou mais de 15 instâncias internacionais de direitos humanos, entre elas a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A ação foi conduzida por Luyara Franco, filha de Marielle e diretora executiva do Instituto.
Mobilização internacional às vésperas do julgamento
A iniciativa integra a estratégia de incidência nacional e internacional do Instituto em torno de um processo considerado decisivo. O julgamento ocorre no ano em que se completam dez anos da eleição de Marielle Franco e após quase oito anos de espera pela responsabilização dos mandantes do crime ocorrido em março de 2018, no Rio de Janeiro.
Nos documentos encaminhados às instâncias internacionais, o Instituto destacou que o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes se tornou emblemático da violência política, especialmente contra mulheres negras e defensoras de direitos humanos. A entidade ressaltou que a decisão do STF terá impacto que ultrapassa o Brasil, podendo se tornar referência internacional no combate à impunidade.
“Estamos a menos de um mês de um julgamento que o Brasil levou anos para alcançar. Comunicar os organismos internacionais é afirmar que este caso ultrapassa fronteiras e que a democracia brasileira está sendo colocada à prova. A condenação dos mandantes é o que pode romper um ciclo histórico de impunidade. A responsabilização de quem mandou matar minha mãe e o Anderson é condição fundamental para o compromisso do país com a verdade, a justiça e a memória”, afirmou Luyara Franco.
Caso Marielle como símbolo da violência política
Ao dialogar com instâncias nacionais e internacionais, o Instituto Marielle Franco busca garantir visibilidade, monitoramento e compromisso institucional com a realização de um julgamento justo, compatível com a gravidade do crime. Para a organização, o processo representa um marco por expressar a resposta do Estado brasileiro a um assassinato político cometido para silenciar uma mulher negra eleita e um trabalhador.
Marielle Franco, vereadora negra, bissexual e defensora de direitos humanos, foi assassinada em 14 de março de 2018, ao lado do motorista Anderson Gomes. O crime é caracterizado pelo Instituto como um ataque direto à representação política e à democracia.
Julgamento no STF e impacto para a democracia
O julgamento dos mandantes colocará em evidência, segundo o Instituto, a capacidade do Brasil de responsabilizar os autores intelectuais do crime. Para a entidade, a decisão do Supremo Tribunal Federal representará um posicionamento inequívoco de que a violência política não ficará impune e de que o país mantém compromisso com a verdade, a justiça e a memória.


