HOME > Brasil

Flávio Bolsonaro ignorou conselhos para oferecer ministério a Michelle

Flávio Bolsonaro teria rejeitado sugestões de aliados para aproximar Michelle Bolsonaro da pré-campanha e sinalizar espaço em eventual governo

Flávio Bolsonaro (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A crise entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ganha novos contornos após relatos de que o parlamentar teria ignorado recomendações para aproximar a madrasta de sua pré-campanha, em meio a tensões internas no PL e repercussões que podem impactar a disputa eleitoral de 2026. Segundo Raquel Landim, do jornal O Estado de São Paulo, Flávio Bolsonaro foi aconselhado por interlocutores do PL a adotar gestos de aproximação com Michelle, mas não teria seguido as orientações, em um cenário que agora se traduz em crise aberta no campo político. 

De acordo com interlocutores do PL, o senador chegou a ser aconselhado recentemente a incluir Michelle Bolsonaro em sua estratégia eleitoral, inclusive com a sinalização de que ela poderia ocupar um ministério em um eventual governo e participar da escolha da vice em sua chapa. Ainda segundo essas lideranças, a avaliação interna era de que faltou “sensibilidade” ao senador, que não teria integrado de forma efetiva a ex-primeira-dama à construção política da campanha.

Expectativa de pedido de desculpas e tensão familiar

Pessoas próximas a Michelle Bolsonaro afirmam que ela esperava um pedido de desculpas público de Flávio Bolsonaro, após episódios em que teria sido alvo de declarações consideradas desrespeitosas, incluindo a afirmação de que ela “não entendia nada de política”, conforme relato feito pela própria ex-primeira-dama em vídeo divulgado na quarta-feira (24). Também há a avaliação de que Michelle teria se sentido “humilhada” em meio às divergências, o que teria ampliado o distanciamento entre os dois.

Flávio Bolsonaro ainda teria tentado reabrir diálogo com Michelle, mas sem avançar em uma sinalização de compartilhamento de poder político, como a oferta de um ministério.

As articulações incluíram tentativas de aproximação por meio da senadora Damares Alves (Republicanos–DF) e da administradora Daniella Marques, ambas próximas à ex-primeira-dama desde o governo Jair Bolsonaro (PL).

Em uma das iniciativas recentes, Flávio pediu a Damares a organização de uma reunião com mulheres conservadoras e tentou viabilizar a participação de Michelle, mas não obteve resposta.

Desgaste político e impacto eleitoral

O episódio ocorre em um momento de fragilidade na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, que ainda sofre com repercussões do caso “Dark Horse”, envolvendo pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

Michelle Bolsonaro, que antes mantinha perfil mais discreto, ganhou protagonismo político após assumir a presidência do PL Mulher e se consolidou como liderança entre evangélicos e eleitorado feminino conservador.

Analistas apontam que o conflito pode ter efeitos diretos na disputa eleitoral. A CEO do Instituto de Pesquisa Idea, Cila Schulman, destacou a relevância do eleitorado feminino na corrida de 2026: “O público feminino já é resistente ao Bolsonaro. Então, a narrativa da Michele tem mais adesão ainda. Na minha visão, essa é uma eleição que vai ser decidida por 3% do eleitorado. Desses 3%, 69% são mulheres. Essas mulheres são apartidárias – não estão nem do lado do Lula, nem do lado do Flávio. É muito importante o candidato conquistar essas mulheres”, afirmou.

Artigos Relacionados