Folha cobra Toffoli fora do caso Master e do próprio STF
Editorial aponta conflito de interesses e defende afastamento do ministro para preservar credibilidade da Corte
247 - O jornal Folha de S.Paulo publicou editorial nesta quinta-feira (12) defendendo que o ministro Dias Toffoli deixe a relatoria do inquérito sobre o Banco Master e se afaste do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o periódico, os fatos revelados nos últimos meses configuram situação de evidente conflito de interesses e comprometem a credibilidade da Corte.
No texto, a Folha afirma que Toffoli já não reunia condições de permanecer à frente do caso desde terça-feira (3 de dezembro), quando decidiu levar ao STF a investigação que tramitava na Justiça comum. A justificativa apresentada foi a existência de um negócio envolvendo um deputado federal e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A partir dessa decisão, segundo o jornal, passaram a ocorrer medidas consideradas atípicas no andamento do processo.
O editorial cita a decretação de sigilo sobre a apuração, a determinação de acareação entre investigados e um diretor do Banco Central — responsável pela liquidação da instituição financeira — e a limitação do acesso da Polícia Federal às provas já reunidas. Para o periódico, tais decisões se somam a revelações sobre a relação entre o ministro e Vorcaro.
Entre os pontos mencionados estão uma viagem internacional realizada por Toffoli em aeronave de empresário, acompanhado por advogado ligado ao banco, além da participação de familiares do ministro, até o ano passado, em sociedade de um resort no Paraná ao lado de fundo de investimentos vinculado à rede comandada por Vorcaro. De acordo com o editorial, a investigação da Polícia Federal indica que o próprio magistrado figurava como um dos proprietários do hotel de luxo e que utilizava helicóptero e equipe de segurança pagos pelo tribunal para frequentar o local.
O texto também afirma que Toffoli é citado em mensagens encontradas no celular de Vorcaro e que há indícios de que tenha recebido valores, direta ou indiretamente, pela venda de sua participação no empreendimento. Para a Folha, essas circunstâncias reforçam a necessidade de o ministro ter se declarado impedido desde o início.


