Fraude no INSS: empresário aceita devolver R$ 400 mi em acordo de delação premiada
Delação de Mauricio Camisotti, investigado no escândalo do INSS, prevê devolução de R$ 400 milhões ao erário
247 - A fraude no INSS voltou ao centro das investigações com a informação de que o empresário Maurício Camisotti se comprometeu a devolver R$ 400 milhões aos cofres públicos em um acordo de colaboração premiada firmado com a Polícia Federal. As informações são da coluna do jornalista Cézar Feitosa.
O acordo de delação foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana. Antes de uma decisão do ministro André Mendonça, os termos da delação ainda serão examinados pela Procuradoria-Geral da República, sob a condução do procurador-geral Paulo Gonet. O caso envolve apurações sobre descontos ilegais em benefícios previdenciários e segue agora para análise das instâncias responsáveis pela homologação.
Valor coincide com repasses à Ambec
Segundo pessoas com acesso à investigação ouvidas pela reportagem a devolução de R$ 400 milhões está prevista em uma das cláusulas do acordo firmado por Camisotti com a Polícia Federal. O montante chamou a atenção dos investigadores por coincidir com o volume de recursos repassados pelo INSS à Ambec, a Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos, entre 2023 e 2025.
A apuração indica que a Ambec esteve entre as entidades mais beneficiadas pelas fraudes relacionadas aos descontos ilegais. De acordo com dados fiscais obtidos pelos investigadores, empresas ligadas a Camisotti receberam repasses da associação no período analisado.
Acordo de delação vai ao STF
O avanço da colaboração premiada abre uma nova etapa no caso. Caberá à PGR se manifestar sobre as condições pactuadas entre o empresário e a Polícia Federal. Só depois dessa análise o ministro André Mendonça decidirá se homologa ou não o acordo.
Entre os benefícios previstos em caso de homologação está a possibilidade de transferência de Camisotti para a prisão domiciliar. No fim de março, ele foi transferido da Penitenciária II de Guarulhos para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, medida que, segundo a apuração, teve como objetivo facilitar as negociações da colaboração.
PF amplia oitivas no caso
Maurício Camisotti é apontado pelos investigadores como um dos principais operadores do esquema investigado no INSS. No ano passado, ele foi preso ao lado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A Polícia Federal também convocou 31 investigados para prestar depoimento a partir da próxima semana. Entre os chamados estão ex-assessores do senador Weverton Rocha (PDT-MA), o filho do “Careca do INSS” e a empresária Roberta Luchsinger.
Investigação aponta prejuízo bilionário
As investigações apontam que o esquema de fraudes no INSS teria operado entre 2019 e 2024. A estimativa de prejuízo é de R$ 6,3 bilhões, segundo a apuração em curso.
Procurada pela reportagem, a defesa de Maurício Camisotti não se manifestou.


