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Gilmar Mendes pede à PGR que Alessandro Vieira seja investigado por abuso de autoridade na CPI do Crime Organizado

Senador propôs o indiciamento de ministros do STF no relatório final da CPI do Crime Organizado

Senador Alessandro Vieira (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado )

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o senador Alessandro Vieira por possível abuso de autoridade relacionado à condução da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O pedido ocorre após a rejeição do relatório final da comissão, que incluía o indiciamento de magistrados da corte. As informações são da Folha de São Paulo.

O relatório elaborado por Vieira propunha responsabilizar Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por supostos vínculos com o caso do Banco Master — acusações negadas pelos ministros. O documento acabou rejeitado pelo colegiado por 6 votos a 4 na noite de terça-feira (14), perdendo, assim, sua validade jurídica.

Críticas ao desvio de finalidade da CPI

Gilmar Mendes afirmou que a atuação do senador pode ter extrapolado o objetivo inicial da CPI, que era investigar o crime organizado. Para o ministro, houve desvio de finalidade, o que pode configurar ilícito previsto na legislação.

Em manifestação pública, ele declarou que os excessos cometidos devem ser analisados com rigor pela PGR. “Esse desvio de finalidade suscita preocupação. E esse desvio de finalidade não é algo inocente. É crime. Está na lei de abuso de autoridade”, afirmou durante sessão da Segunda Turma do STF.

A representação formal será encaminhada à Procuradoria, que poderá decidir sobre a abertura de investigação. Como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi citado no relatório da CPI — sob alegação de omissão —, há possibilidade de o caso ser conduzido por um substituto dentro do órgão.

Repercussão no STF e possíveis impactos eleitorais

Durante a mesma sessão, o ministro Dias Toffoli apontou que a conduta do senador pode ter implicações não apenas jurídicas, mas também eleitorais. Segundo ele, a atuação poderia ser interpretada como abuso de poder com finalidade eleitoral.

“E esse voto é antidemocrático. É um voto corrupto”, afirmou Toffoli ao comentar o caso.

O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota pública em apoio aos colegas mencionados no relatório. No texto, ele afirmou que o uso indevido de CPIs representa risco às instituições democráticas e aos direitos fundamentais.

Contexto político e reação do senador

A rejeição do relatório foi resultado de articulações políticas que envolveram ministros do STF, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Após o encerramento dos trabalhos da CPI, Alessandro Vieira afirmou que a proposta de indiciamento de autoridades foi o principal ponto de divergência entre os integrantes da comissão. Em publicação nas redes sociais, declarou: “Numa democracia, você respeita o resultado das votações mesmo quando ele não lhe é favorável”.

O senador também mencionou mudanças na composição da comissão durante a votação do relatório. “Essas movimentações fazem parte das estratégias regimentais, mas apontar seu impacto é necessário”, escreveu.

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