Governo Lula vê espaço para barrar tarifa de 25% dos EUA
Governo aposta em diálogo entre Mauro Vieira e Jamieson Greer. Pix está “fora de negociação” e é tratado como linha vermelha pelo Planalto
247 - O governo do presidente Lula (PT) vê espaço para barrar a tarifa de 25% dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e aposta no diálogo com a administração de Donald Trump para evitar que a medida seja aplicada, em meio a duas investigações comerciais conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, informa o Metrópoles.
Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que, apesar do desconforto causado pelas conclusões do órgão norte-americano, ainda há margem para negociação antes da implementação das sobretaxas. A expectativa do governo brasileiro é que uma conversa entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, ajude a manter aberto o canal diplomático.
As investigações foram baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Em uma delas, o Brasil é acusado de práticas comerciais consideradas desleais, o que levou à sugestão de uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros importados pelos EUA. A segunda apuração, relacionada ao uso de trabalho forçado em diversos países, propõe uma taxa de 12,5% contra o Brasil.
Apesar da ofensiva comercial, o governo Lula avalia que as medidas ainda não estão consolidadas. As tarifas sugeridas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos ainda devem passar por audiências públicas e pelo aval de Donald Trump. Por isso, integrantes do governo consideram que as próximas semanas serão decisivas para tentar impedir a entrada em vigor das cobranças.
Nos bastidores, a leitura é que a tarifa de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado será mais difícil de reverter. Interlocutores do presidente avaliam que essa apuração foi “feita para não ser revertida”, sobretudo por também atingir aliados dos Estados Unidos.
A estratégia brasileira, nesse cenário, é tentar usar a eventual aplicação da tarifa menor como margem para negociar a cobrança mais alta, de 25%, considerada mais sensível para setores exportadores do país. O governo também espera que empresários do setor produtivo atuem junto a interlocutores da Casa Branca e nas audiências públicas para reforçar os impactos econômicos das medidas.
O Palácio do Planalto e o Itamaraty pretendem manter o diálogo com Washington, mesmo avaliando que documentos e esclarecimentos enviados pelo Brasil não foram considerados na conclusão das investigações. Nesta semana, Mauro Vieira e Jamieson Greer tiveram um breve encontro em Paris e reconheceram que as conversas entre os dois países seguem abertas.
Integrantes do governo brasileiro dizem estar dispostos a discutir alternativas, desde que os Estados Unidos apresentem de forma clara suas demandas. A avaliação nos bastidores é que a Casa Branca ainda não explicitou o que pretende obter, o que impede o Brasil de colocar propostas concretas na mesa.
Um ponto, no entanto, já foi delimitado pelo governo Lula: qualquer negociação envolvendo o Pix está “fora de negociação”. O tema é tratado como uma linha vermelha pelo Planalto nas tratativas comerciais com Washington.
Outra possibilidade em análise é um novo encontro entre Lula e Trump. Os dois líderes devem participar da Cúpula do G7, em Paris, no fim da próxima semana, o que poderia abrir espaço para uma conversa direta sobre o impasse comercial.
Até lá, o governo Lula pretende insistir na via diplomática para tentar evitar que a tarifa de 25% dos EUA seja implementada, em um novo capítulo de tensão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.



