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Haddad critica Campos Neto e diz que Galípolo herdou o caso Master

Ministro da Fazenda diz confiar na gestão atual do BC e aponta Banco Master, fintechs e expectativas como heranças da administração anterior

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fala durante reunião em Brasília-DF - 03/06/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao UOL nesta segunda-feira (19) que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assumiu o comando da instituição em meio a problemas estruturais deixados pela gestão anterior. Segundo ele, o caso do Banco Master é o exemplo mais emblemático dessa herança e exigiu decisões difíceis por parte da atual diretoria da autoridade monetária.

Haddad disse confiar plenamente na condução de Galípolo e ressaltou que o atual presidente do BC precisou lidar com um cenário complexo logo no início de sua gestão.

“Eu acredito que ele herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. Neste ano, o Galípolo descascou o abacaxi com a responsabilidade de ter, ao final, um processo robusto para justificar as decisões duras que teve que tomar. Mas foi uma herança. O Galípolo herdou esse enorme problema. Não era da diretoria dele, ele estava em outra diretoria, e ele herdou um grande abacaxi”, afirmou Haddad.

De acordo com o ministro, a atuação do presidente do Banco Central no enfrentamento desse caso tem sido marcada por eficiência. “Ele está resolvendo com grande competência”, disse, ao destacar a necessidade de processos sólidos para embasar decisões sensíveis no sistema financeiro.

Haddad também mencionou outros desafios que, segundo ele, foram deixados pela administração anterior, como a expansão das fintechs sem fiscalização imediata. O ministro relacionou o tema a investigações recentes da Polícia Federal que apontaram, em alguns casos, vínculos dessas empresas com o crime organizado.

“O Banco Central inventou essa figura (fintechs) e disse, olha só, eu vou começar a fiscalizar vocês em 2029. Lá atrás, na gestão anterior. Está aí o pepino todo, que até a oposição explorou, quando a gente quis trazer para dentro da fiscalização da Receita Federal, começaram a inventar aquela coisa de taxação de Pix que não tinha nada a ver”, declarou.

Na sequência, Haddad questionou a reação de setores da oposição ao tema. “Voltaram agora, inclusive, para desviar, porque provavelmente nós vamos pegar gente graúda da oposição, porque senão a oposição não estaria fazendo isso. Por que a oposição está fazendo isso? Está com medo do quê?”, afirmou.

Outro ponto citado pelo ministro foi a chamada desancoragem das expectativas econômicas, que, segundo ele, também teria sido alimentada pela postura da gestão anterior do Banco Central. Para Haddad, Galípolo vem atuando para reorganizar esse cenário e restabelecer a credibilidade da política monetária.

“Eu estou falando de três desafios que nenhum presidente do Banco Central passou até agora. Então é óbvio que quando ele me pergunta eu falo que tem espaço para cortar (juros), porque eu acho que tem, e muita gente acha também. O próprio mercado está projetando uma Selic de 12% no final do ano”, disse o ministro.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, e o debate sobre seu eventual recuo segue no centro das discussões entre o governo, o Banco Central e os agentes do mercado financeiro.

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