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Justiça do RJ anula congresso da Rede Sustentabilidade e aponta irregularidades em eleição nacional do partido

Decisão impacta vitória de aliado de Heloísa Helena sobre grupo de Marina Silva no pleito realizado em 2025

Heloísa Helena (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

247 - A Justiça do Rio de Janeiro anulou, nesta quinta-feira (29), o Congresso Municipal da Rede Sustentabilidade realizado em fevereiro de 2025, ao reconhecer a existência de irregularidades graves nos procedimentos de convocação, credenciamento e votação. O entendimento judicial afeta diretamente o processo que culminou na eleição de Paulo Lamac para a presidência nacional do partido. Lamac, secretário de Relações Institucionais de Belo Horizonte, é aliado da deputada federal Heloísa Helena e venceu o grupo apoiado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Em nota, a direção da Rede informou que ainda não foi notificada sobre o caso e que irá “recorrer de qualquer decisão que ponha em risco a estabilidade e a continuidade das atividades partidárias”.

Segundo o jornal O Globo, a decisão também declarou nulos, por consequência, os congressos estadual e nacional da legenda ocorridos no mesmo ano. Na sentença, o juiz Marcos Antônio Ribeiro de Moura Brito afirmou que houve omissão das instâncias estadual e nacional da Rede na fiscalização do congresso municipal do Rio de Janeiro, mesmo diante de indícios e confissão de irregularidades. Para o magistrado, a homologação desses atos configurou falha grave no processo interno da sigla.

"Em face do exposto, julgo procedente o pedido contido na petição inicial para declarar a nulidade do congresso municipal ocorrido em 02 de fevereiro de 2025 e, por consequência, dos congressos estadual e nacional, viciados pela nulidade original, condenando os réus ao pagamento das custas e dos honorários advocatícios, arbitrados em dez por cento sobre o valor atualizado da causa", decidiu o juiz.

Modelo piramidal do partido 

A decisão sustenta que as irregularidades no congresso municipal comprometeram a legitimidade de todo o processo eleitoral interno desde a origem. Segundo o magistrado, a Rede Sustentabilidade adota um modelo piramidal de escolha de delegados, no qual os congressos municipais elegem representantes para a etapa estadual, que por sua vez define a composição do congresso nacional.

Nesse contexto, o juiz entendeu que a nulidade no município do Rio de Janeiro contaminou todas as instâncias subsequentes, invalidando também os encontros estaduais e o congresso nacional que definiu a direção partidária. Entre as irregularidades apontadas estão a divulgação do congresso em prazo inferior ao mínimo exigido pelo regimento interno da legenda e o uso inadequado das redes sociais como único meio de convocação.

"A ata notarial não comprova o cumprimento do prazo mínimo exigido pelo estatuto, ao contrário, confirma que a publicação da convocação se deu de modo precário. A mera divulgação do edital de convocação pela ferramenta stories do Instagram não supre os requisitos mínimos de publicidade", afirmou o magistrado na decisão.

Supostas fraudes no credenciamento 

O juiz também registrou falhas na conferência da identidade dos participantes e apontou fraude no registro de assinaturas de pessoas que não estiveram presentes no congresso municipal. Grupos da Rede avaliam que, diante da decisão judicial, os processos internos nos estados ficam sob questionamento, abrindo incertezas quanto ao resultado da eleição nacional do partido. A vitória de Paulo Lamac foi considerada uma derrota política para Marina Silva, que apoiava Giovanni Mockus para o comando da legenda.

A disputa acentuou a divisão interna entre Heloísa Helena e Marina Silva, rompidas politicamente desde 2022. As divergências envolvem diferenças programáticas e a relação com o governo federal.

Divergências ideológicas

Enquanto Marina Silva se define como "sustentabilista" e integra o governo Lula como ministra do Meio Ambiente, Heloísa Helena se posiciona de forma mais crítica ao Planalto e defende o ecossocialismo, corrente que associa a pauta ambiental à mudança do sistema econômico.

Aliados de Marina afirmam que alterações estruturais promovidas pela atual direção nacional da Rede, sob influência do grupo ligado a Heloísa Helena, tornaram inevitável a saída da ministra do partido. 

Rede irá recorrer da decisão judicial

Em nota, a direção nacional da Rede disse ter recebido “com surpresa a decisão, diante do fato de ainda não ter sido notificada sobre ela” e que” o partido tomará todas as providências no sentido de recorrer de qualquer decisão que ponha em risco a estabilidade e a continuidade das atividades partidárias”. 

“Evidentemente há interesses múltiplos, que buscam desequilibrar um dos poucos partidos absolutamente independentes no cenário de polarização atual. Não lograrão êxito, pelo simples fato de não terem a razão ao seu lado. Ressaltamos que se trata de uma decisão de primeira instância, que comporta os devidos recursos e procedimentos legais, os quais todos serão adotados pela Rede com tranquilidade e responsabilidade”, destaca um trecho do texto.

“A Direção Nacional manifesta sua confiança na legalidade e no devido processo legal, que indubitavelmente demonstrará a correção dos procedimentos da democracia interna da Rede”, finaliza a nota. 

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