HOME > Brasil

Lula avalia que Toffoli deve se afastar da relatoria do Caso Master ou deixar o STF

Presidente avalia que permanência do ministro na relatoria contamina o governo e amplia desgaste político em ano eleitoral

Brasília (DF), 11/02/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de cerimônia para anúncio de investimentos para ampliação e modernização de 11 aeroportos do país. Serão beneficiados os aeroportos de Congonhas (São Paulo), Campo Grande (MS), Ponta Porã (MS), Corumbá (MS), Santarém (PA), Marabá (PA), Carajás (PA), Altamira (PA), Uberlândia (MG), Uberaba (MG) e Montes Claros (MG). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (Foto: EBC)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que se tornou insustentável a permanência do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria do inquérito envolvendo o Banco Master. Segundo reportagem da jornalista Vera Rosa, do jornal O Estado de São Paulo, Lula teria dito a auxiliares que a insistência do magistrado em continuar à frente do caso gera desgaste crescente e pode prejudicar o governo, especialmente em um ano eleitoral.

De acordo com a reportagem, nos bastidores, o presidente tem defendido que Toffoli deveria renunciar à relatoria e encaminhar o processo para a primeira instância. Caso contrário, Lula teria avaliado que o ministro deveria deixar o STF para evitar que o episódio continue contaminando a administração federal.

Irritação do Planalto aumentou após alerta da PF

De acordo com a reportagem, a contrariedade de Lula com Toffoli vinha crescendo, mas se intensificou na quarta-feira, dia 11, quando a Polícia Federal comunicou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, uma indicação de suspeição do ministro.

A medida teria ocorrido após investigadores encontrarem menções a Toffoli no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para Lula, conforme relataram interlocutores, o episódio reforçou a percepção de que o caso pode gerar danos imprevisíveis ao governo e aprofundar críticas públicas.

Almoço expôs divergências entre Lula e Toffoli

Ainda segundo a reportagem, Toffoli afirmou a Lula durante um almoço na Granja do Torto, em dezembro, que não abriria mão da relatoria do caso. A conversa contou também com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Na ocasião, Toffoli teria argumentado que o caso envolve autoridades e políticos de diversos partidos, e não apenas integrantes do Centrão. Ele teria dito ainda que, se o processo fosse transferido para a primeira instância, poderia gerar consequências mais amplas e se transformar em uma “Lava Jato 2”.

Interlocutores do ministro relataram que Lula reagiu com irritação e reforçou que, se até mesmo seu filho estivesse envolvido em um escândalo, deveria responder pelos atos. O presidente teria defendido que Toffoli renunciasse rapidamente ao caso, permitindo que os investigados se defendessem na primeira instância.

Governo monitora redes e teme narrativa de “abafamento”

No Palácio do Planalto, o caso é tratado como uma preocupação política. Monitoramentos em redes sociais indicariam, segundo a reportagem, que parte do público avalia que Toffoli estaria tentando “abafar” a crise e proteger a si mesmo e o Partido dos Trabalhadores. Do outro lado, Toffoli tem afirmado que a Polícia Federal estaria conduzindo investigações clandestinas, proibidas por lei, além de promover vazamentos com informações distorcidas.

Reunião no PT discutiu impactos após alerta sobre políticos do partido

O caso também provocou reação interna no PT. Parlamentares e dirigentes do partido fizeram uma reunião de emergência com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, após um alerta de que políticos petistas poderiam ser envolvidos no escândalo.

Costa e Wagner, ambos ex-governadores da Bahia, sustentaram que os contatos mantidos com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, estariam relacionados apenas ao processo de licitação da venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). “Não há problema nenhum ali. Conversamos e vimos todos os documentos. Estamos tranquilos”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC).

Toffoli puxou caso ao STF após pedido da defesa de Vorcaro

Toffoli levou o caso ao STF após solicitação da defesa de Daniel Vorcaro. O argumento foi a apreensão de documentos ligados a uma transação imobiliária do banqueiro com o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). O episódio aumentou a pressão política sobre o ministro, inclusive no Congresso, onde já se discute a possibilidade de investigações parlamentares envolvendo o caso.

Ministro nega relações pessoais e cita participação em empresa

A Fachin e a outros ministros do Supremo, Toffoli negou ter relações pessoais com Vorcaro e também afirmou não ter recebido recursos do empresário. Ele, no entanto, admite ser sócio da empresa Maridt.

A empresa tinha participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, mas vendeu sua fatia no empreendimento a fundos de investimento controlados pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Toffoli sustenta que, em 2021, quando a Maridt vendeu parte da participação no resort, ainda não se conheciam as ligações de Vorcaro com irregularidades. Ele também afirma que a empresa é de caráter familiar e é administrada por seus irmãos José Eugênio e José Carlos, ressaltando que todas as transações financeiras foram declaradas à Receita Federal.

Artigos Relacionados