Lula avalia que Toffoli deve se afastar da relatoria do Caso Master ou deixar o STF
Presidente avalia que permanência do ministro na relatoria contamina o governo e amplia desgaste político em ano eleitoral
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que se tornou insustentável a permanência do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria do inquérito envolvendo o Banco Master. Segundo reportagem da jornalista Vera Rosa, do jornal O Estado de São Paulo, Lula teria dito a auxiliares que a insistência do magistrado em continuar à frente do caso gera desgaste crescente e pode prejudicar o governo, especialmente em um ano eleitoral.
De acordo com a reportagem, nos bastidores, o presidente tem defendido que Toffoli deveria renunciar à relatoria e encaminhar o processo para a primeira instância. Caso contrário, Lula teria avaliado que o ministro deveria deixar o STF para evitar que o episódio continue contaminando a administração federal.
Irritação do Planalto aumentou após alerta da PF
De acordo com a reportagem, a contrariedade de Lula com Toffoli vinha crescendo, mas se intensificou na quarta-feira, dia 11, quando a Polícia Federal comunicou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, uma indicação de suspeição do ministro.
A medida teria ocorrido após investigadores encontrarem menções a Toffoli no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para Lula, conforme relataram interlocutores, o episódio reforçou a percepção de que o caso pode gerar danos imprevisíveis ao governo e aprofundar críticas públicas.
Almoço expôs divergências entre Lula e Toffoli
Ainda segundo a reportagem, Toffoli afirmou a Lula durante um almoço na Granja do Torto, em dezembro, que não abriria mão da relatoria do caso. A conversa contou também com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Na ocasião, Toffoli teria argumentado que o caso envolve autoridades e políticos de diversos partidos, e não apenas integrantes do Centrão. Ele teria dito ainda que, se o processo fosse transferido para a primeira instância, poderia gerar consequências mais amplas e se transformar em uma “Lava Jato 2”.
Interlocutores do ministro relataram que Lula reagiu com irritação e reforçou que, se até mesmo seu filho estivesse envolvido em um escândalo, deveria responder pelos atos. O presidente teria defendido que Toffoli renunciasse rapidamente ao caso, permitindo que os investigados se defendessem na primeira instância.
Governo monitora redes e teme narrativa de “abafamento”
No Palácio do Planalto, o caso é tratado como uma preocupação política. Monitoramentos em redes sociais indicariam, segundo a reportagem, que parte do público avalia que Toffoli estaria tentando “abafar” a crise e proteger a si mesmo e o Partido dos Trabalhadores. Do outro lado, Toffoli tem afirmado que a Polícia Federal estaria conduzindo investigações clandestinas, proibidas por lei, além de promover vazamentos com informações distorcidas.
Reunião no PT discutiu impactos após alerta sobre políticos do partido
O caso também provocou reação interna no PT. Parlamentares e dirigentes do partido fizeram uma reunião de emergência com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, após um alerta de que políticos petistas poderiam ser envolvidos no escândalo.
Costa e Wagner, ambos ex-governadores da Bahia, sustentaram que os contatos mantidos com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, estariam relacionados apenas ao processo de licitação da venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). “Não há problema nenhum ali. Conversamos e vimos todos os documentos. Estamos tranquilos”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC).
Toffoli puxou caso ao STF após pedido da defesa de Vorcaro
Toffoli levou o caso ao STF após solicitação da defesa de Daniel Vorcaro. O argumento foi a apreensão de documentos ligados a uma transação imobiliária do banqueiro com o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). O episódio aumentou a pressão política sobre o ministro, inclusive no Congresso, onde já se discute a possibilidade de investigações parlamentares envolvendo o caso.
Ministro nega relações pessoais e cita participação em empresa
A Fachin e a outros ministros do Supremo, Toffoli negou ter relações pessoais com Vorcaro e também afirmou não ter recebido recursos do empresário. Ele, no entanto, admite ser sócio da empresa Maridt.
A empresa tinha participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, mas vendeu sua fatia no empreendimento a fundos de investimento controlados pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Toffoli sustenta que, em 2021, quando a Maridt vendeu parte da participação no resort, ainda não se conheciam as ligações de Vorcaro com irregularidades. Ele também afirma que a empresa é de caráter familiar e é administrada por seus irmãos José Eugênio e José Carlos, ressaltando que todas as transações financeiras foram declaradas à Receita Federal.


