Lula desaprova investigação da PF sobre Toffoli e contato direto com o STF
Presidente ficou surpreso com apuração sem autorização do Supremo e avaliou que relatório deveria ter sido encaminhado via Ministério da Justiça
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou incômodo, nos bastidores, com o método adotado pela Polícia Federal (PF) ao tratar de menções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no caso Master. Segundo aliados, Lula teria ficado “surpreso” com o fato de a corporação ter investigado o magistrado sem autorização do STF, a partir de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, relata Igor Gadelha, do Metrópoles.
Lula avaliou em conversas reservadas que a PF não deveria ter cruzado informações sobre Toffoli, mas apenas produzido um relatório informativo com base no material extraído do aparelho. O presidente também teria defendido que a condução do tema deveria ter ocorrido de maneira institucional, por meio do Ministério da Justiça, ao qual a Polícia Federal é subordinada.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente o relatório com referências a Toffoli ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, na segunda-feira (9). Dentro do governo, porém, a avaliação é de que o documento deveria ter sido encaminhado primeiro à Procuradoria-Geral da República (PGR), e não diretamente ao comando do Supremo. “O presidente ficou surpreso com o método. A PF não pode confundir uma questão institucional com ambiente criminal. A discussão era institucional, e nunca criminal”, afirmou, sob reserva, um aliado próximo de Lula.
Apesar da discordância em relação ao procedimento adotado pela Polícia Federal, auxiliares do presidente relataram que Lula considerou adequada a decisão de Toffoli de deixar a relatoria do caso, o que ocorreu na quinta-feira (12). A avaliação atribuída ao presidente é de que a situação do ministro se agravou e passou a afetar a imagem do Supremo como instituição.
A atuação da PF também acabou gerando reflexos políticos sobre o próprio presidente da República. Segundo ministros do STF, a percepção dentro da Corte é de que a cúpula da Polícia Federal dificilmente teria agido dessa maneira sem respaldo de Lula, já que o atual diretor-geral da corporação é visto como alguém muito próximo ao chefe do Executivo.


