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Lula diz que pretende discutir minerais críticos e terras raras com Trump, mas que não irá aceitar imposições

Brasil tem segunda maior reserva de terras raras do mundo; Lula defende controle nacional e venda soberana de minerais críticos

Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende discutir pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a exploração de minerais críticos e terras raras, destacando que o Brasil não aceitará imposições externas sobre seus recursos estratégicos. A declaração, segundo o G1, foi feita durante entrevista a uma emissora local na Índia, onde cumpre agenda oficial.

Brasil tem grandes reservas de terras raras

Minerais críticos e estratégicos são considerados essenciais para a economia atual e para setores de tecnologia avançada, como a produção de chips para celulares e computadores, além de aplicações na transição energética. As chamadas terras raras estão entre os insumos mais relevantes nesse contexto geopolítico.

Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Apesar disso, a produção nacional representa cerca de 1% do total global.

Ao abordar o tema, Lula afirmou: “quero negociar com ele a questão dos minerais críticos e das terras raras. O Brasil tem muitos minerais críticos e terras raras, mas não queremos transformar o território brasileiro em um santuário da humanidade”.

O presidente reforçou a defesa do controle nacional sobre o processo produtivo. “Prefiro negociar de forma soberana para que o processo de transformação desses minerais críticos seja feito e explorado em nosso país, dentro do nosso país, e não fora. E venderemos para quem quisermos vender. Não aceitamos que nos imponham nada”, declarou.

Encontro na Casa Branca e novos temas

Recentemente, os Estados Unidos apresentaram a alguns países um modelo de cooperação para exploração de recursos estratégicos. O Brasil enviou representante para conhecer a proposta, mas decidiu não integrar a iniciativa.

A visita de Lula à Casa Branca foi acertada em ligação telefônica com Donald Trump no ano passado. A previsão é que o encontro ocorra em março, após viagem do presidente brasileiro à Coreia do Sul.

Além dos minerais críticos, Lula afirmou que pretende discutir o chamado “tarifaço”, ainda em vigor para alguns setores da indústria, e o combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas. “Agora, quero ir aos Estados Unidos porque, desde que ele começou na Venezuela dizendo que queria combater o crime organizado e o tráfico de drogas, muito bem. Eu também quero combater isso aqui no Brasil”, disse.

Proposta formal e defesa da soberania

Lula também criticou a forma como o presidente dos EUA anuncia medidas por meio das redes sociais e afirmou que apresentará propostas formalizadas por escrito durante a reunião. “Essa proposta, quero levá-la por escrito ao presidente Trump, porque tenho receio de que o vento possa distorcer as palavras. Então, vou levá-la por escrito. Tudo o que vou tratar com o presidente Trump, levarei por escrito. Estou otimista com essa conversa com o presidente Trump”, afirmou.

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