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Lula e Trump devem tratar de tarifas, minerais críticos, facções criminosas e guerra no Irã

Encontro na Casa Branca ocorre em meio a tensões comerciais, debate sobre segurança regional e cooperação estratégica entre Brasil e Estados Unidos

Lula, ataque dos EUA contra a Venezuela e Donald Trump (Foto: Divulgação I Reuters)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará aos Estados Unidos nesta semana para se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca, em Washington. O encontro, previsto para quinta-feira, deve tratar de temas sensíveis na relação bilateral, incluindo tarifas comerciais, segurança regional e cooperação econômica.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo. Segundo a publicação, a reunião ocorre em um momento de atritos entre os dois países e busca avançar em pautas estratégicas para Brasil e Estados Unidos.

Entre os principais assuntos da agenda estão as tarifas sobre exportações brasileiras, a guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã, a atuação de facções criminosas e a exploração de minerais críticos, considerados essenciais para cadeias industriais globais.

Tarifas e disputas comerciais

Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a tarifa de 50% imposta anteriormente por Trump sobre produtos brasileiros. Apesar da decisão, o governo americano manteve o tom cauteloso em relação às práticas comerciais de parceiros estratégicos.

Na ocasião, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) afirmou: "Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas".

A declaração reforçou que, mesmo após a reversão judicial, Washington segue monitorando o Brasil e a China por possíveis irregularidades comerciais, o que mantém o tema como ponto central da reunião.

Facções e segurança regional

Outro eixo importante do encontro será a possibilidade de os Estados Unidos classificarem organizações criminosas brasileiras como entidades terroristas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Autoridades brasileiras demonstram preocupação com os efeitos dessa eventual classificação, especialmente no que diz respeito à soberania nacional e à autonomia no enfrentamento ao crime organizado.

Em março, o Departamento de Estado dos EUA afirmou ao O Globo que o governo americano considera essas facções uma ameaça relevante à segurança regional, o que reforça a prioridade do tema nas negociações.

Cooperação e minerais estratégicos

No campo da segurança, Lula deve propor o fortalecimento da cooperação bilateral, com foco em combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas e intercâmbio de dados financeiros entre os dois países.

Outro tema estratégico envolve os minerais críticos. Os Estados Unidos convidaram o Brasil a integrar uma coalizão internacional voltada à exploração, refino e fornecimento desses insumos, como lítio, grafita, cobre, níquel e terras-raras.

A proposta inclui mecanismos de preço mínimo para reduzir a volatilidade do mercado e garantir previsibilidade no abastecimento global, o que pode ampliar o papel do Brasil nesse setor.

Venezuela e contexto político

A situação da Venezuela também deve entrar na pauta. Lula tem criticado a intervenção militar americana que resultou na prisão de Nicolás Maduro em janeiro, episódio que alterou o equilíbrio político na região.

No lugar de Maduro, a vice Delcy Rodríguez assumiu a presidência com apoio dos Estados Unidos, ampliando o debate sobre influência externa na América do Sul.

O encontro entre Lula e Trump será o terceiro contato pessoal entre os dois desde o início do atual mandato do presidente americano e ocorre em meio a um cenário interno desafiador para o governo brasileiro, após tensões recentes com o Congresso Nacional.

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