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Mesmo após decisão da Suprema Corte sobre tarifas de Trump, EUA seguem investigando o Brasil

Tribunal considerou ilegais tarifas impostas pelo presidente dos EUA; apuração comercial foi aberta em julho de 2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 20 de fevereiro de 2026 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

247 - O governo dos Estados Unidos manteve a investigação comercial contra o Brasil mesmo após a Suprema Corte do país considerar ilegais tarifas anteriormente impostas. Horas depois de anunciar que elevaria taxas de importação com base em outra legislação, em resposta à decisão judicial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou que sua administração continuará investigando Brasil e China com base em alegações não comprovadas de supostas práticas comerciais desleais. As informações são do jornal O Globo.

A apuração envolvendo o Brasil foi aberta em julho do ano passado, com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. À época, Trump enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicando a aplicação de tarifas de 50% e a abertura de investigação sobre políticas e práticas comerciais brasileiras.

Nota do USTR cita Brasil

Em comunicado divulgado na noite de sexta-feira (20), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) afirmou que pretende "prosseguir com as investigações em andamento da Seção 301, incluindo aquelas que envolvem o Brasil e a China." A nota acrescenta que "se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas".

O documento também informa que o governo manterá tarifas já aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, além de concluir investigações em curso e abrir novas apurações com base na Seção 301. Quando a investigação foi anunciada, o texto mencionava temas como Pix, redes sociais, desmatamento ilegal e supostas práticas de corrupção.

O comunicado destaca ainda que o governo Trump seguirá implementando sua política comercial, descrita como um esforço de "reorientação do sistema de comércio global em benefício dos trabalhadores e empresas americanas". Trump argumenta que o déficit comercial dos Estados Unidos aumentou durante o governo de Joe Biden e que setores industriais e agrícolas teriam sido deslocados para outros países.

Apesar da política protecionista, dados de dezembro de 2025 indicam que o déficit comercial estadunidense alcançou US$ 901,5 bilhões no ano passado, o maior nível da série histórica, segundo o jornal The New York Times.

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