Motta condiciona apoio à reeleição de Lula a 'gestos políticos'
Presidente da Câmara afirma que decisão dependerá de reciprocidade política do Planalto
247 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (12) que ainda não definiu se apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que a decisão dependerá de “gestos concretos” por parte do governo federal. A declaração, segundo O Globo, foi feita durante um evento em João Pessoa, no qual o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, aliado do parlamentar, oficializou o apoio da União ao pré-carnaval da capital paraibana.
Questionado sobre um eventual endosso à reeleição do presidente, Motta destacou que a definição passa por uma lógica de reciprocidade política. “A política se constrói com reciprocidade. Nós temos que nessa construção política entender o que vamos ter de apoios e de gestos para decidir quem vamos apoiar. É isso que temos que construir de maneira muito tranquila e respeitosa para com a população do nosso estado”, afirmou.
Apoio condicionado a reciprocidade política
O deputado lembrou que, em dezembro, durante um encontro com jornalistas em Brasília, adotou posição semelhante ao avaliar que ainda era cedo para anunciar apoios formais. Na ocasião, porém, deixou claro que não pretende permanecer neutro na disputa presidencial, indicando que tomará posição ao longo do processo eleitoral.
Mesmo sem confirmar apoio direto a Lula, Motta sinalizou que o Republicanos deve manter alinhamento, na Paraíba, com o grupo político liderado pelo governador João Azevêdo (PSB). Segundo ele, o foco é consolidar um projeto estadual que dê continuidade ao atual modelo administrativo, que considera aprovado pela população.
“Isso primeiro depende do presidente, depende do partido do presidente. O que nós temos procurado dialogar no âmbito do Republicanos e da aliança que nós temos com o governador João Azevêdo, com o vice-governador Lucas, é poder ter um projeto que verdadeiramente represente aquilo que o estado precisa”, declarou.
Alianças estaduais orientam estratégia do Republicanos
Entre as prioridades da aliança governista, Motta citou a pré-candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), o fortalecimento do projeto político de João Azevêdo e a tentativa de viabilizar o nome de seu pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), como candidato ao Senado. O cenário, contudo, enfrenta entraves, já que a chapa governista já conta com os nomes dos senadores Efraim Filho (União) e Veneziano Vital do Rego (MDB).
Veto presidencial será analisado pelo Congresso
Durante o evento, Motta também comentou o veto do presidente Lula ao projeto que altera as regras de dosimetria das penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Segundo ele, o tema será tratado com serenidade pelo Legislativo. “Olha, (vejo) com muita tranquilidade. Esse é um assunto que acabou dividindo o Brasil durante todo o ano de 2025. A proposta votada na Câmara dos Deputados foi uma proposta bastante dialogada. Ela teve quase 300 votos. Agora nós temos que, respeitando o direito e a prerrogativa do presidente de vetar as matérias que são aprovadas pelo Congresso, o Congresso irá também, na sua prerrogativa, analisar o veto do presidente”, afirmou.
Nos bastidores do Parlamento, líderes da oposição e do Centrão avaliam que o veto pode ser derrubado, citando o placar expressivo obtido na Câmara e a leitura de que o Planalto optou por transformar a decisão em um gesto político em ano eleitoral. A expectativa é de que o tema seja analisado em sessão do Congresso, possivelmente em fevereiro, com a definição da data ficando a cargo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).


