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Oposição pede prisão de Moraes após vazamento de mensagens trocadas com Vorcaro

Parlamentares pedem investigação e prisão do ministro do STF após mensagens encontradas pela Polícia Federal

Brasília (DF) - 10/09/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - A divulgação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que indicariam interlocução com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes provocou forte reação de parlamentares no Congresso Nacional. Integrantes da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a defender medidas duras contra o magistrado, incluindo pedidos de prisão e questionamentos sobre sua conduta. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Dados extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro indicam que o banqueiro teria trocado mensagens com Moraes no dia em que seria preso pela primeira vez pela PF, em novembro de 2025.

Reação da oposição no Congresso

A revelação motivou manifestações de parlamentares críticos ao ministro do STF. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que Moraes deveria responder criminalmente pelas suspeitas levantadas.

“Por muito menos o Alexandre de Moraes já teria prendido o Alexandre de Moraes. Esse cara precisa sair do STF. Não é impeachment, não, ele precisa ir direto para a prisão. Responder por esses atos que não condiz com o magistrado”, declarou.

O líder da minoria na Câmara, Gustavo Gayer (PL-GO), também questionou aspectos relacionados ao caso envolvendo o Banco Master. Reportagens mencionadas pelos parlamentares apontam a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

“O mais impressionante disso tudo é que Vorcaro pagava R$ 3,6 milhões para a esposa do Moraes por mês, mas não ligou ou trocou mensagem com ela nem uma vez”, afirmou o deputado.

Mensagens encontradas pela Polícia Federal

Dados extraídos do celular do banqueiro indicam que Vorcaro teria informado Moraes sobre negociações envolvendo a venda do banco. O material também sugere conversas relacionadas a um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

Outra mensagem recuperada aponta que o banqueiro consultou Moraes sobre a lista de convidados de um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. Segundo os registros, o ministro teria determinado que o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, fosse “bloqueado” do evento.

Debate sobre ética e transparência no STF

As trocas de mensagens teriam sido feitas por meio de um método que dificultaria a preservação das respostas do ministro. De acordo com as revelações, os interlocutores escreviam textos em blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens usando a função de visualização única.

O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) mencionou o episódio ao comentar decisões anteriores do ministro. “A opinião de Alexandre de Moraes sobre quem apaga mensagens de WhatsApp no celular no caso da Débora do Batom: ‘desprezo com o Poder Judiciário e a ordem pública’. E como fica quem manda mensagem de visualização única para responder se ‘bloqueou’ algo ou não a um criminoso?”, questionou.

No Senado, Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que o partido avalia medidas institucionais após as revelações. “Só falta dizer que as diversas mensagens temporárias apagadas automaticamente pelo ministro foi puro engano. Errou de destinatário como deve ter sido engano do Vorcaro contratar os ‘serviços advocatícios’ de R$ 129 milhões da esposa dele. Como deve ter sido engano estarem na mesma casa residencial e mesmo evento nos EUA, patrocinado pelo Banco Master. O Novo já estuda entrar com outras ações firmes para o resgate da ética na República a partir das revelações dessas conversas”, declarou.

Pressão por CPI do Banco Master

No campo governista, parlamentares defenderam a necessidade de esclarecimentos e maior transparência. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) defendeu a criação de um código de ética para o STF.

“Essas relações são tão impróprias que Moraes tratou de dizer que elas sequer existem, que é tudo mentira. Isso revela como elas são graves e podem ter desdobramentos, se o Vorcaro falar mais, falar tudo, que é o que desejamos”, afirmou.

Ele acrescentou que:“é  importante estabelecermos de uma vez por todas um código de ética ao STF a fim de vedar peremptoriamente relações de juízes com interessados em causas em andamento”.

Na mesma linha, o líder do Psol na Câmara, Tarcísio Motta (RJ), defendeu a apuração completa dos fatos. “O que está vindo à tona precisa ser esclarecido com muita transparência. Quando surgem mensagens que levantam suspeitas de proximidade indevida entre agentes do Judiciário e interesses privados, isso afeta a confiança da sociedade nas instituições”, disse.

A deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) também defende a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o Banco Master. “Como a CPI é uma ferramenta aberta de monitoramento da sociedade, não haverá sigilos, provas fatiadas ou quaisquer outros mecanismos de proteção ao banditismo político – esteja onde estiver”, afirmou.

Segundo a parlamentar, a articulação busca as últimas assinaturas para viabilizar a instalação da comissão na Câmara. Atualmente, existem duas propostas de CPI relacionadas ao caso: uma apresentada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e outra protocolada no Congresso pela oposição, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Apesar de haver maioria favorável à investigação, ainda existe resistência na cúpula do Congresso para instalar a comissão.

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