PF avalia quebrar sigilo de fundo que financiou filme sobre Bolsonaro
Apuração envolve recursos ligados a Daniel Vorcaro e produção do filme; PF suspeita que e parte do dinheiro pode ter custeado despesas de Eduardo Bolsonaro
247 - A Polícia Federal (PF) pretende aprofundar as investigações sobre recursos enviados aos Estados Unidos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro (PL). Segundo a Folha de São Paulo, a corporação avalia solicitar às autoridades estadunidenses a quebra de sigilo do fundo que recebeu os valores.
O objetivo é esclarecer a destinação dos recursos encaminhados por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Entre as suspeitas analisadas pela PF está a possibilidade de parte do dinheiro ter sido utilizada para custear despesas do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
Fundo no Texas está no centro da investigação
De acordo com a apuração, os recursos teriam sido enviados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como aliado próximo de Eduardo Bolsonaro.
A Polícia Federal busca verificar se os valores foram efetivamente empregados na produção cinematográfica ou se tiveram outra destinação. Para acessar os dados financeiros do fundo, a corporação dependerá da cooperação das autoridades dos Estados Unidos e de autorização da Justiça estadunidense.
Além disso, os investigadores estudam utilizar a chamada Difusão Prata da Interpol, mecanismo voltado à identificação, localização e retenção de patrimônios relacionados a pessoas investigadas.
Diretor-geral da PF defende novo inquérito
Em entrevista à GloboNews na terça-feira (2), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que considera necessária a abertura de uma investigação específica sobre os recursos enviados aos Estados Unidos para financiar o filme.
Segundo ele, representações encaminhadas à PF foram analisadas e uma delas já foi enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá se manifestar sobre o conteúdo da apuração, o foro competente e a definição do relator.
Questionado se o caso deveria tramitar separadamente das demais investigações envolvendo o Banco Master, Rodrigues respondeu: "no entendimento da nossa área técnica, sim".
Três caminhos possíveis no STF
Segundo o diretor-geral da PF, existem três possibilidades para a condução do caso no Supremo Tribunal Federal.
A primeira é a incorporação das novas informações às investigações relacionadas ao Banco Master, atualmente sob relatoria do ministro André Mendonça.
A segunda hipótese é que a apuração fique sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Há ainda a possibilidade de que o caso seja distribuído por sorteio a outro integrante da Corte.
A eventual solicitação de quebra de sigilo do fundo estadunidense dependerá da autorização do STF para a abertura de um novo inquérito.
Relação entre administrador do fundo e Eduardo Bolsonaro
Criado em dezembro de 2020, o Havengate Development Fund é administrado por Paulo Calixto. Nas redes sociais de seu escritório de advocacia, há registros fotográficos que mostram Calixto ao lado de Eduardo Bolsonaro, indicando proximidade entre ambos.
Calixto se apresenta como especialista em imigração, com mais de duas décadas de experiência na área e passagens pelo serviço de cidadania e imigração dos Estados Unidos e pelo Departamento de Estado dos EUA. .
Flávio Bolsonaro nega irregularidades
Após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de informações sobre o financiamento de Dark Horse com recursos ligados a Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou qualquer vínculo dos aportes com o sustento de Eduardo Bolsonaro.
Em nota, o parlamentar afirmou que "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos." Até o momento, Paulo Calixto não se manifestou publicamente sobre o caso.



