Planalto vê risco de interferência dos EUA no Brasil após fala de Trump e defende reação firme
Diplomatas demonstram preocupação com impactos sobre as eleições; núcleo político avalia ser necessário defender a soberania e autonomia das instituições
247 - A reação mais contundente às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a política brasileira partiu dos bastidores do Palácio do Planalto e do Itamaraty. Segundo a coluna da jornalista Milena Teixeira, do Metrópoles, integrantes do governo federal avaliam que as falas do líder estadunidense acendem um sinal de alerta sobre possíveis tentativas de influência externa no cenário eleitoral brasileiro.
A preocupação ganhou força após Trump afirmar que o Brasil estaria se tornando um país "duro politicamente", "um pouco perigoso politicamente" e "meio desagradável". A declaração foi dada ao comentar o julgamento do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O ex-parlamentar foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (16), a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto, no processo sobre coação judicial por atuar junto a integrantes da administração de Donald Trump visando interferir nos julgamentos da trama golpista. Eduardo Bolsonaro vive atualmente nos Estados Unidos.
Itamaraty vê risco de interferência nas eleições
No Ministério das Relações Exteriores, a avaliação é de cautela, mas também de preocupação. Diplomatas ouvidos sob reserva pela coluna afirmam que as declarações podem ser interpretadas como um movimento de pressão política externa em um momento em que o Brasil se aproxima da disputa presidencial de 2026.
Nos bastidores da diplomacia brasileira, existe o receio de que manifestações públicas de autoridades estrangeiras possam influenciar o ambiente político interno. A preocupação com eventuais tentativas de interferência no processo eleitoral já vinha sendo debatida em diferentes setores do governo nos últimos meses.
Planalto defende reação rápida e firme
No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificaram as declarações de Trump como perigosas diante do atual contexto político. Integrantes do governo defendem uma resposta rápida e contundente para evitar que a fala ganhe dimensão política ainda maior.
Uma fonte ouvida pela reportagem afirmou, sob condição de anonimato, que o governo brasileiro "deve ir para cima", indicando a defesa de uma postura mais assertiva diante do episódio.
A avaliação no núcleo político do governo é que qualquer sinal de ingerência estrangeira precisa ser respondido de forma imediata para preservar a soberania nacional e a autonomia das instituições brasileiras.
Lula rebate Trump e defende o sistema eleitoral
Após a repercussão das declarações, Lula respondeu diretamente ao presidente dos Estados Unidos durante uma entrevista coletiva. O presidente brasileiro afirmou que Trump pode ter preferências políticas, mas não deve interferir nos assuntos internos do país.
"Ele tem o direito de ter suas preferências ideológicas e eleitorais. Só espero que ele não fira o código de respeito entre nações soberanas. Ele pode gostar do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque isso é um problema do Brasil", declarou.
Defesa das urnas eletrônicas
Lula também aproveitou a ocasião para reforçar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro e defender as urnas eletrônicas.
"Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil a fazer eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que, duas horas após o encerramento da votação, a gente já sabe o resultado nos 27 estados da Federação. Já sabe quem é o presidente eleito, quem são os governadores, os senadores e os deputados. A gente não fica no século passado, com voto em papel. Uma lista com 500 nomes, a gente não fica. Então, se tem alguém que precisa aprender com as eleições civilizadas do Brasil, é o meu amigo Trump", afirmou.



