Racha no clã Bolsonaro já preocupa o centrão e tumultua pré-candidatura de Flávio
Últimos dias foram marcados por críticas públicas envolvendo Eduardo, Carlos e Michelle Bolsonaro, além de Nikolas Ferreira e Valdemar Costa Neto
247 - Lideranças do centrão avaliam que as recentes disputas públicas dentro do PL, especialmente envolvendo integrantes do clã Bolsonaro, têm prejudicado a articulação política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Segundo a Folha de São Paulo, as divergências também desgastam a imagem de moderação que o parlamentar tenta consolidar
Nos últimos dias, embates protagonizados por seus irmãos ampliaram o clima de tensão interna na legenda. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro fez críticas públicas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Paralelamente, o ex-vereador Carlos Bolsonaro entrou em rota de colisão com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
Dirigentes de três partidos de centro afirmam que as desavenças familiares dificultam a costura de alianças e aumentam a incerteza sobre qual ala do PL prevalecerá nas decisões estratégicas. Para um representante do centrão, a indefinição sobre candidaturas e espaços internos trava negociações e gera insegurança entre potenciais aliados.
Além das tensões internas, há críticas quanto à ausência de Flávio nas articulações no Brasil enquanto realizava viagens internacionais, incluindo agendas no Oriente Médio, Europa e Estados Unidos. A avaliação de interlocutores é que a direita ficou sem coordenação em momentos decisivos.
Aliados do senador afirmam que ele está ciente do desgaste e que retorna ao país disposto a reorganizar a legenda, reforçando hierarquia e centralizando decisões. A estratégia inclui deixar claro que foi escolhido por Jair Bolsonaro (PL) como candidato ao Planalto e que caberá a ele conduzir o processo político.
O entorno de Flávio também reconhece que houve ruídos provocados por declarações de lideranças da direita após visitas a Bolsonaro, que está preso na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília. Segundo um aliado, o senador pretende atuar nos próximos dias para “colocar ordem” na sigla e reduzir interferências externas.
Internamente, Flávio já teria trabalhado para conter atritos. Interveio, por exemplo, nas críticas feitas por Eduardo ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e buscou reduzir o conflito entre o irmão e Nikolas Ferreira. Está prevista a participação conjunta de Flávio e Nikolas em uma manifestação convocada para domingo (1º), gesto interpretado como sinal de unidade após o embate público.
Sobre Michelle, aliados afirmam que o senador adotará cautela. A avaliação interna é de que a ex-primeira-dama ficou insatisfeita com o processo que definiu o nome do filho mais velho de Bolsonaro como candidato, mas que deve integrar a campanha no momento considerado adequado. A orientação no grupo é evitar novos confrontos e “dar tempo ao tempo”.
As críticas públicas
Em entrevista ao SBT News, na sexta-feira (20), Eduardo Bolsonaro afirmou que o apoio de Michelle e Nikolas à pré-candidatura do irmão está “aquém do desejável”. Ele declarou:
“Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê que um, lado a lado, compartilha o outro e apoia o outro na rede social, só estão com uma amnésia aí. Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas a toda hora”.
Nikolas Ferreira respondeu às críticas dizendo:
“Nós temos o pai dele preso, sofrendo dificuldades de saúde, você tem as pessoas do dia 8 [de janeiro] presas e precisando ajudar a derrubar o veto à [proposta da] dosimetria, você tem o STF envolvido em diversos escândalos, você tem o Lula fazendo literalmente de tudo para poder destruir esse país e a prioridade é nos atacar. Então, isso diz muito mais sobre ele do que a mim”.
Enquanto isso, Carlos Bolsonaro e Valdemar Costa Neto também protagonizaram troca de declarações. Carlos afirmou que Jair Bolsonaro estaria organizando uma lista de pré-candidatos do PL ao Senado e aos governos estaduais, embora o acordo interno previsse ao ex-presidente a palavra final apenas nas candidaturas ao Senado.
Valdemar respondeu ao Poder360:
“Debatemos tudo, mas o Senado é o Bolsonaro que indica. Sempre foi. Nós indicamos os governadores. Todos nós damos palpites em tudo. É normal. Sempre ouvimos nossos parceiros”.
Carlos rebateu nas redes sociais, levantando a hipótese de que o pai estaria sendo isolado do processo decisório:
“Me parece que as coisas estão meio desencontradas sem querer querendo! As peças todas parecem se encaixar! Deixar o preso político isolado e fazendo isso que estamos vendo e de forma acentuada está cada dia mais…. Estranho!”.


