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Rui Costa Pimenta se coloca como pré-candidato a presidente para abrir debate sobre os rumos do País

Presidente do PCO diz que candidatura busca fazer propaganda política e questiona limites da estratégia do PT para transformar a realidade brasileira

Rui Costa Pimenta (Foto: Reprodução Youtube)

247 – O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 tem como objetivo principal abrir um debate estratégico sobre os rumos do Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Breno Altman, no programa 20 Minutos, da Opera Mundi, exibido em 20 de abril de 2026.

Questionado se sua candidatura poderia tirar votos do presidente Lula, Rui disse avaliar que o PCO não tem peso eleitoral suficiente para desequilibrar a disputa. “A minha candidatura é um esforço de propaganda política. Eu acho que é importante aproveitar as eleições para abrir um debate mais estratégico sobre o Brasil”, afirmou.

Segundo ele, sua crítica ao governo Lula não se concentra em “picuinhas”, mas no método político adotado pelo PT. “O método utilizado pelo governo Lula, pelo PT, não dá resultado no que diz respeito a transformações reais da realidade brasileira”, declarou.

Rui reconheceu avanços sociais dos governos petistas, como o Bolsa Família, mas avaliou que essas políticas não enfrentam a raiz dos problemas nacionais. “Eu encaro o Brasil como um país que está andando para trás”, disse.

Crítica à estratégia eleitoral

Rui afirmou que o PCO participa das eleições como forma de fazer propaganda política e não por acreditar que o sistema eleitoral, por si só, possa transformar o País.

“A participação eleitoral é um expediente que nós usamos para fazer propaganda política”, afirmou.

Ele disse que sua principal crítica ao PT é a ideia de que seria possível mudar estruturalmente o Brasil apenas pela via institucional. “Nós não temos ilusão. Essa é justamente a principal crítica que eu faço ao PT, de que nós vamos mudar o país pela via das eleições, do quadro político que nós temos hoje. Não vejo que isso seja possível”, declarou.

Imperialismo e anti-imperialismo

Na entrevista, Rui também defendeu a tese de que a principal contradição mundial não é entre democracia e fascismo, mas entre imperialismo e anti-imperialismo.

“Democracia versus fascismo é uma interpretação extremamente equivocada da realidade”, disse. 

Para ele, o fascismo é “um instrumento da burguesia” e depende do grande capital para ganhar força.

O dirigente do PCO afirmou que setores da esquerda erram ao se alinhar a governos liberais europeus em nome do combate à extrema direita. “O que a gente viu dos governos democráticos europeus na Palestina, isso é fascismo”, afirmou.

Sobre Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, Rui classificou seu governo como de extrema direita, com traços fascistas mais ideológicos do que práticos. Segundo ele, Trump improvisa na política externa e enfrenta pressões contraditórias dentro do próprio sistema norte-americano.

Política econômica e dívida pública

No campo interno, Rui afirmou que um eventual novo governo Lula enfrentará dificuldades ainda maiores. Segundo ele, a política econômica petista não é neoliberal em sua orientação, mas faz concessões importantes ao neoliberalismo.

“A política dele se dirige num outro sentido. Não é uma política, a orientação da política não é neoliberal”, disse.

Para Rui, a dívida pública é uma das questões centrais do Brasil. “Tem que expor para o país que isso é uma roubalheira sem fim. Pessoal fala em corrupção, não tem corrupção maior”, declarou.

Ele defendeu medidas como moratória, congelamento de juros ou desvalorização da dívida, a serem estudadas em um programa de enfrentamento ao rentismo.

Petrobras, privatizações e direitos trabalhistas

Rui também criticou a política do governo em relação à Petrobras e às privatizações. Embora reconheça que Lula não privatizou estatais, avaliou que a postura do governo é insuficiente.

“O dinheiro do petróleo vai para os acionistas da Petrobras. Uma boa parte desse dinheiro vai para fora do país”, afirmou.

O dirigente do PCO defendeu uma nova campanha “O petróleo é nosso” e afirmou que o controle do petróleo é essencial para qualquer país independente.

Ele também cobrou uma política mais firme de recuperação dos direitos trabalhistas, incluindo o enfrentamento à terceirização e a revisão das reformas aprovadas nos últimos anos.

Liberdade de expressão e anistia

Um dos pontos mais polêmicos da entrevista foi a defesa feita por Rui da liberdade irrestrita de expressão. Ele rejeitou propostas de regulação que, segundo ele, ampliam o poder de censura do Estado.

“Muito mais vale a gente ter a possibilidade de falar do que proibir a extrema direita de falar o que eles têm para falar”, disse.

Rui também defendeu anistia a Jair Bolsonaro e aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, houve arbitrariedades judiciais e penas desproporcionais.

“Não vamos ganhar da extrema direita com esses métodos”, afirmou.

Ele negou que o 8 de janeiro tenha sido uma tentativa efetiva de golpe de Estado e disse não ver relação de causa e efeito entre os atos e uma ação concreta de tomada do poder.

Voto no segundo turno

Sobre o segundo turno de 2026, caso a disputa seja entre Lula e outro candidato, Rui disse que o voto do PCO “possivelmente” será em Lula, mas afirmou que a decisão será discutida pelo partido.

“Nós precisamos marcar bem uma determinada posição política, que é que o que está acontecendo aqui não tem futuro”, afirmou.

Para Rui, o ciclo iniciado pelo PT em 2002 já mostrou seus limites. Ainda assim, ele rejeitou a tese de que Lula esteja “vendido ao neoliberalismo”.

“Eu acho que o Lula, apesar de ser político e ser manhoso também, como todo político, essencialmente é uma pessoa sincera no que faz, mas acho que essa política se esgotou”, concluiu.

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