Rui Costa Pimenta aponta "vitória espetacular do Irã" e diz que derrota dos EUA abre nova fase mundial
Em entrevista à TV 247, dirigente do PCO afirma que confronto expôs o enfraquecimento do imperialismo e elevou o papel do Irã na geopolítica global
247 – O presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou em entrevista à TV 247, na sexta-feira, 17 de abril de 2026, que o Irã obteve uma “vitória espetacular” no confronto recente com os Estados Unidos e Israel. Na avaliação do dirigente, o episódio representa um marco histórico por demonstrar, de forma direta, uma derrota do imperialismo norte-americano em um enfrentamento entre Estados.
Ao analisar o desfecho da crise no Oriente Médio, Rui destacou que o resultado modifica a correlação de forças na região e no mundo. Para ele, o episódio não apenas fortalece militarmente o Irã, mas também amplia sua projeção política e simbólica, abalando a imagem de invencibilidade construída em torno da máquina de guerra dos Estados Unidos.
Logo no início da entrevista, Rui foi categórico ao descrever o significado do episódio. “É uma vitória espetacular, realmente. É a primeira vez que num enfrentamento direto, militar, o imperialismo é derrotado, o imperialismo norte-americano é derrotado desta maneira”, afirmou.
Segundo ele, derrotas anteriores impostas ao imperialismo ocorreram em circunstâncias distintas, como revoluções populares e guerras de libertação nacional, a exemplo do Vietnã e da Argélia. Desta vez, porém, o que teria ocorrido, em sua leitura, foi uma derrota em um confronto direto entre governos e forças armadas regulares, o que daria ao episódio um caráter inédito.
Enfraquecimento do imperialismo
Na visão do dirigente do PCO, o resultado da crise expõe um processo mais profundo de desgaste da hegemonia ocidental. Rui afirmou que a derrota sofrida pelos Estados Unidos revela um “enfraquecimento extraordinário do imperialismo” e, ao mesmo tempo, o surgimento de um novo polo de influência com alcance internacional.
Ao comentar o papel do Irã, ele argumentou que o país passou a ser visto de forma diferente inclusive por setores progressistas que, até então, mantinham distância por receio de represálias políticas e ideológicas do Ocidente. Para Rui, a guerra contribuiu para desmontar preconceitos cultivados ao longo de décadas.
“O Irã é, no marco dos países atrasados, é um país bastante desenvolvido. Tem uma indústria importante. Veja a indústria militar iraniana, o estrago que eles causaram. Culturalmente é um país também bastante evoluído. Eu acho que está na hora de mudar essa imagem do Irã, principalmente na esquerda brasileira”, declarou.
Essa avaliação veio acompanhada de uma crítica ao modo como o Ocidente construiu a imagem da República Islâmica. Segundo Rui, a associação automática entre religiosidade e atraso político é uma visão marcada por preconceitos típicos das elites ocidentais. Ele lembrou ainda que governos conservadores apoiados pelo Ocidente também mantêm forte relação com a religião, sem que isso seja usado da mesma forma como elemento de deslegitimação.
Trump e Netanyahu sob pressão
Rui também avaliou as consequências políticas da crise para Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Para ele, ambos saem derrotados, embora o impacto possa ser maior para a Casa Branca.
“Ambos amargaram uma derrota”, resumiu. Em seguida, observou que Trump “pode enfrentar uma crise muito grande” em função do fracasso da ofensiva.
No caso de Netanyahu, Rui ponderou que o desgaste interno já vinha se acumulando antes mesmo do novo episódio militar. Ainda assim, observou que a estrutura política israelense é fortemente deslocada para a direita, o que limita, ao menos no curto prazo, a possibilidade de uma contestação capaz de removê-lo imediatamente do poder.
Ele rejeitou a ideia de que exista, em Israel, uma oposição liberal com compromisso humanitário real diante da tragédia palestina e dos ataques na região. Em sua leitura, a diferença entre correntes do sionismo seria mais de gradação do que de natureza política.
Impactos regionais e nova correlação de forças
Ao tratar do impacto regional, Rui afirmou que a guerra alterou de maneira duradoura a dinâmica política do Oriente Médio. Ele citou instabilidade no Bahrein, avanço das forças ligadas ao Irã no Iraque e cautela dos regimes árabes diante da nova realidade estratégica.
Segundo ele, muitos governos da região evitaram envolvimento direto por dois motivos centrais: o alto custo político de se alinhar publicamente aos Estados Unidos e a constatação de que o Irã demonstrou ser a principal potência regional.
Na entrevista, Rui observou ainda que países do Golfo teriam temido uma ampliação do conflito com efeitos sobre rotas comerciais decisivas, como o estreito de Bab el-Mandeb e os fluxos ligados ao Canal de Suez. Na sua leitura, isso contribuiu para conter uma escalada maior e reforçou a posição iraniana no tabuleiro regional.
“Isso daí mudou definitivamente a situação na região”, afirmou.
China, Rússia e o avanço da multipolaridade
A vitória iraniana também foi interpretada por Rui como um fator relevante para a defesa da multipolaridade. Segundo ele, se o Irã tivesse sido derrotado, a situação estratégica de Rússia e China ficaria mais delicada diante da pressão militar e diplomática do Ocidente.
“Se você não consegue derrotar o Irã, imagina uma guerra com a China, como é que vai ser? Imagine uma guerra com a Rússia”, disse.
Na mesma linha, Rui avaliou que o imperialismo se encontra em um impasse estrutural e tende a recorrer cada vez mais à guerra como tentativa de reorganizar sua posição global. Para ele, a disputa internacional segue aberta, mas o episódio recente demonstrou que a hegemonia unipolar dos Estados Unidos enfrenta limites muito mais duros do que no passado recente.
Repercussão política além do Oriente Médio
Ao ampliar sua análise, Rui ligou o episódio à crise mais geral do sistema internacional. Para ele, a guerra contra o Irã não foi um evento isolado, mas parte de uma tentativa mais ampla de conter o avanço de uma ordem multipolar, na qual Rússia, China e outros atores desafiam a primazia norte-americana.
Nesse contexto, a resistência iraniana teria assumido papel decisivo. Mais do que sobreviver ao ataque, o país teria imposto um revés político e militar que passa a influenciar cálculos estratégicos em várias capitais do mundo.
A entrevista à TV 247 mostra, assim, que a leitura de Rui Costa Pimenta vai além do conflito imediato. Em sua interpretação, o episódio inaugura uma fase na qual o imperialismo segue agressivo, mas já não consegue atuar com a mesma liberdade de antes. E o Irã, antes tratado como ator periférico por boa parte da narrativa ocidental, emerge agora como protagonista central de uma nova etapa da geopolítica mundial.


