"O Irã venceu a guerra", diz Rui Costa Pimenta
Presidente do PCO afirma à TV 247 que o imperialismo foi derrotado, elogia a reação iraniana e diz que Israel representa uma ameaça permanente
247 – Em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira, 10 de abril, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que o Irã saiu vitorioso do mais recente confronto no Oriente Médio e sustentou que os Estados Unidos foram obrigados a recuar diante da resistência iraniana. Ao comentar a perspectiva de negociações em Islamabad, ele foi direto: “Eu acho que o imperialismo perdeu a guerra”.
Ao longo da análise política semanal, publicada no canal da TV 247, Rui também atribuiu a escalada de violência regional não apenas ao governo de Benjamin Netanyahu, mas à própria estrutura do Estado de Israel. Na avaliação dele, o problema central não é individual, mas político e histórico. “Eu acho que o problema não é tanto a personagem em si, né, mas é a própria estrutura política que é o Estado de Israel, né? Isso daí é uma ameaça permanente aos países todos em volta”, declarou.
Crítica ao Estado de Israel e rejeição à acusação de antissemitismo
Rui Costa Pimenta argumentou que Israel foi constituído como um enclave militar e geopolítico do imperialismo na região. Em sua leitura, o Estado israelense nasceu de forma arbitrária, contra a oposição dos países árabes e à custa da expropriação do povo palestino. “Foi criado pelo imperialismo para controlar a região”, disse.
Segundo ele, a crise atual expõe um regime em desespero. Ao analisar o papel de Netanyahu, Rui afirmou que o premiê israelense pode até ser mais à direita que alguns de seus antecessores, mas que a raiz do problema está na crise estrutural do Estado de Israel. “O desespero, o que leva a essas atitudes absurdas é o desespero, né, do regime político israelense, do Estado israelense”, afirmou.
Ao ser questionado sobre acusações de antissemitismo, Rui rejeitou essa caracterização de forma enfática. “Não, de forma nenhuma. Eu acho que o racismo é uma coisa primitiva, de gente extremamente primitiva”, respondeu. Em seguida, procurou situar sua posição no campo político e ideológico da esquerda marxista. “Nós somos marxistas. Marx era de origem judaica. Como é que você vai ser o seguidor de uma pessoa de origem judaica e ao mesmo tempo ser antissemita?”, acrescentou.
Para Rui, a crítica ao sionismo e ao Estado de Israel não se confunde com hostilidade aos judeus. O dirigente do PCO insistiu que se trata de uma posição política fundada na defesa dos direitos do povo palestino. “O direito de um não pode ser exercido através do sofrimento do povo palestino”, disse.
Lei contra o antissionismo e ofensiva de censura
Durante a entrevista, Rui também criticou duramente o projeto associado à deputada Tabata Amaral que, segundo ele, busca restringir críticas ao sionismo sob a justificativa de combate ao antissemitismo. Para o dirigente do PCO, há uma ação coordenada de grupos pró-Israel para conter o avanço da rejeição internacional às ações do Estado israelense.
Na avaliação dele, a ofensiva legislativa é impulsionada por um lobby organizado. “Esse é um lobby sionista, né? Eles procuram aprovar essa lei que é uma maneira de impedir as críticas ao Estado de Israel, impedir a crítica aos crimes brutais, né, odiosos do Estado de Israel contra os palestinos”, declarou.
Rui citou ainda o episódio envolvendo o bar Partisã, no Rio de Janeiro, como exemplo do que considera uma tentativa de censura política travestida de combate ao racismo. Segundo ele, a medida acabou provocando reação contrária e ampliando a solidariedade ao estabelecimento. “Mas através da censura não vai dar certo”, resumiu.
Irã, força anti-imperialista e potência militar
Ao comentar o conflito, Rui Costa Pimenta reservou suas palavras mais enfáticas ao Irã. Para ele, a atuação iraniana representou um marco na resistência ao imperialismo. “É a maior força anti-imperialista que existe no planeta Terra nesse momento”, afirmou.
Ele criticou setores da esquerda que, segundo sua análise, se recusam a reconhecer o caráter anti-imperialista da ação iraniana por divergências ideológicas com o regime político do país. Rui classificou essa postura como uma distorção grave. “Você pode discordar de muita coisa, mas falar que isso não é uma luta anti-imperialista é uma insanidade”, declarou.
Mais adiante, elevou ainda mais o tom ao falar da dimensão militar do Irã. “Eu acho que o Irã se ergueu como uma potência militar, eu não diria nem regional, tudo bem que ele não tem alcance, mas do ponto de vista da capacidade militar, eu diria que eles estão a uma potência mundial”, disse.
Para ele, o anúncio de um acordo e o posterior recuo do presidente Donald Trump deixaram evidente que Washington não conseguia mais sustentar a escalada bélica sem custos crescentes. “Quando apareceu o anúncio de que havia sido chegado a um acordo, né? Depois o Trump voltou atrás, ficou claro que o imperialismo não tava dando conta da situação”, afirmou.
O papel do Paquistão e as incertezas das negociações
Rui também comentou o papel do Paquistão, apontado na entrevista como ator importante nas negociações em Islamabad. Segundo ele, o país vive uma contradição histórica: foi criado sob influência britânica e manteve, durante longo período, alinhamento com o imperialismo, mas hoje sofre intensa pressão popular em favor do Irã e contra os Estados Unidos.
Na leitura do dirigente do PCO, essa pressão ajuda a explicar a postura recente de Islamabad. “Eu acho que a pressão popular no Paquistão a favor do Irã e contra os Estados Unidos é muito grande. É isso que explica essa atitude do Paquistão”, afirmou.
Sobre o que pode sair concretamente das negociações, Rui adotou cautela, embora mantendo a tese da derrota ocidental. “Eu acho que o imperialismo vai ter que aceitar uma parte, pelo menos, das exigências iranianas”, declarou. Ainda assim, ponderou que o confronto estratégico permanece aberto. “O imperialismo vai voltar a atacar o Irã. Isso daí é líquido e certo”, advertiu.
Crise do imperialismo e impacto econômico
Na entrevista, Rui relacionou o conflito também à dimensão econômica global. Para ele, o recuo de Washington e a busca por acomodação diplomática foram influenciados pela pressão do capital financeiro e pelo temor de agravamento da crise internacional. “O Trump ficou muito acuado pela crise econômica que tava se desenvolvendo aí”, disse.
A fala veio em meio a comentários sobre a reação dos mercados, com valorização de ativos e queda do dólar, num movimento que, segundo os entrevistadores, refletiria a expectativa de normalização do cenário. Rui concordou com essa leitura e sugeriu que o dinheiro segue sendo um fator determinante na política internacional contemporânea.
No conjunto da entrevista, a tese central do dirigente do PCO foi a de que a guerra revelou uma inflexão histórica no equilíbrio de forças do Oriente Médio. Para ele, o Irã não apenas resistiu, mas impôs uma derrota política e estratégica ao imperialismo liderado pelos Estados Unidos, alterando o tabuleiro regional e recolocando o debate sobre soberania, resistência e multipolaridade em outro patamar.


