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"Acabou o reinado de Alexandre de Moraes", diz Rui Costa Pimenta

Presidente do PCO afirma que Supremo vive momento delicado e defende prisão domiciliar para Jair Bolsonaro

Rui Costa Pimenta e Alexandre de Moraes (Foto: Reuters / Brasil 247)

247 – Em entrevista à TV 247, o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes está no centro de uma crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal. Ao longo da conversa, ele também analisou a guerra contra o Irã, criticou medidas de controle na internet, defendeu prisão domiciliar para Jair Bolsonaro e comentou os primeiros movimentos da disputa eleitoral de 2026. Ao tratar da situação do STF, Rui afirmou que o momento é crítico e que a permanência de Alexandre de Moraes se tornou politicamente insustentável. Segundo ele, “acabou o reinado do Alexandre Moraes e o STF está numa situação muito delicada, mas muito delicada mesmo”.

Na avaliação do dirigente do PCO, as denúncias que vieram à tona são graves e não permitem uma saída simples para a crise. Ele sustentou que “não tem como escapar dessas denúncias” e concluiu que, diante desse cenário, “esse aí acabou”. Em seguida, projetou um desfecho mais drástico caso não haja uma solução política: afirmou que, se não houver renúncia, os envolvidos “vão acabar sendo cassados”.

Rui também rejeitou a narrativa de que Moraes teria desempenhado papel decisivo na defesa da democracia brasileira. Ao comentar declarações do ministro Gilmar Mendes, afirmou que não reconhece qualquer dívida política: disse que, pessoalmente, “não se sente endividado com ele em nada”.

Outro ponto central da entrevista foi o escândalo envolvendo o Banco Master. Rui defendeu transparência total e avaliou que o caso pode atingir todo o sistema político brasileiro. Segundo ele, “esse escândalo tem uma dimensão parecida com o escândalo das Mãos Limpas, na Itália” e “envolve todo o sistema político brasileiro”. Na sua leitura, apesar de outros nomes aparecerem, o foco principal está em Alexandre de Moraes, afirmando que “o alvo da operação toda é o Alexandre Moraes, não é o Toffoli”.

A situação de saúde de Jair Bolsonaro também foi abordada. Com base no boletim médico que indica internação em UTI, Rui defendeu a concessão de prisão domiciliar. Ele afirmou que Bolsonaro “tem quase 70 anos, está doente” e acrescentou que não é favorável “a essas políticas de tortura das pessoas, seja lá quem for”. Também avaliou que a recuperação do ex-presidente reduz tensões políticas, afirmando que “essa melhora do quadro do Bolsonaro é uma boa notícia para a esquerda”, já que um agravamento poderia gerar repercussão negativa. Ao comentar as acusações contra Bolsonaro, disse que “isso aí é ficção política”.

No cenário internacional, Rui avaliou que a resistência do Irã surpreendeu diante da ofensiva liderada pelos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump. Segundo ele, “três semanas de resistência iraniana já são uma proeza”, considerando o confronto com a maior potência militar do mundo. Também afirmou que os Estados Unidos buscam uma saída para o conflito, avaliando que “o imperialismo já está na política de saída honrosa”. Para ele, caso a guerra se prolongue, “vamos ver uma crise generalizada”.

Ao comentar os impactos no Brasil, Rui criticou o uso da guerra como justificativa para a política de juros elevados. Segundo ele, “esse problema da taxa de juros não tem nada a ver com a guerra” e representa “uma política dos banqueiros para o Brasil”.

No campo da regulação digital, Rui criticou medidas que ampliam o controle sobre o acesso de jovens à internet. Ele afirmou que é necessário preservar “a intimidade das pessoas e a privacidade”, alertando que, sem isso, a sociedade pode se tornar um ambiente de vigilância permanente. Também rejeitou a ideia de proibição como solução para crimes, afirmando que “pedofilia é crime, reprime, pronto” e questionando: “precisa proibir o jovem de entrar na internet?”. Em sua avaliação, esse tipo de política pode ter efeito contrário ao desejado, pois “vai empurrar uma parte expressiva da juventude para a direita”.

Ao analisar o cenário eleitoral de 2026, Rui afirmou que a estratégia do presidente Lula segue baseada em uma frente ampla semelhante à de 2022, avaliando que “está igual” e que não há redução significativa na amplitude das alianças. Sobre a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, demonstrou ceticismo, dizendo que considera “remota” a possibilidade de vitória.

Rui também comentou a crise interna do PSOL e a possível ida de Guilherme Boulos para o PT. Segundo ele, essa movimentação pode fragilizar o partido, que ficaria “numa situação bastante periclitante enquanto partido”. Além disso, avaliou que Boulos perdeu protagonismo, afirmando que ele “perdeu muito da importância”.

Na parte final da entrevista, Rui voltou a criticar a política econômica e a ausência de enfrentamento às privatizações. Segundo ele, o PT deveria ter colocado “a reestatização de várias empresas estatais na ordem do dia”. Também fez uma crítica mais ampla ao funcionamento do Estado brasileiro, afirmando que “as instituições são instituições que levam à servidão política”.

Ao longo da entrevista, Rui Costa Pimenta apresentou um diagnóstico duro da conjuntura nacional, apontando uma crise institucional profunda, com epicentro no Supremo Tribunal Federal e desdobramentos ainda imprevisíveis no cenário político brasileiro.

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