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Eleição de 2026 será duríssima, diz Rui Costa Pimenta ao apontar risco real para Lula

Presidente do PCO afirma à TV 247 que bolsonarismo segue forte, critica estratégia do PT e vê disputa marcada por polarização ideológica e incertezas

Eleição de 2026 será duríssima, diz Rui Costa Pimenta ao apontar risco real para Lula (Foto: Divulgação )

247 – O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou em entrevista à TV 247, nesta quinta-feira, 27 de março, que a eleição presidencial de 2026 tende a ser “muito difícil” para o presidente Lula e que há, sim, “risco de derrota real” no horizonte político. Ao longo da conversa, ele analisou tanto o cenário internacional, com foco na guerra envolvendo o Irã e os Estados Unidos, quanto a conjuntura brasileira, marcada pela crise da chamada terceira via, pela força persistente do bolsonarismo e pelas dificuldades estratégicas do campo governista.

Na entrevista semanal concedida à TV 247, Rui sustentou que o ambiente político está longe do otimismo que, segundo ele, dominou parte da esquerda nos últimos anos. “Eu sempre disse que essa eleição ia ser muito difícil pro Lula”, declarou. Em outro momento, foi ainda mais direto: “Eu acho que o risco de derrota é real”.

Rui vê cenário eleitoral apertado e rejeita tese de desistência fácil de Lula

Ao comentar as especulações sobre uma eventual desistência do presidente Lula da disputa, Rui Costa Pimenta avaliou que uma retirada teria alto custo político para o PT e abriria espaço para um nome da direita. Segundo ele, Lula não possui um substituto natural dentro do partido com a mesma capacidade de unificação política e eleitoral.

Na avaliação do dirigente, uma saída de Lula da corrida presidencial produziria uma crise profunda no campo petista. Isso porque, em suas palavras, o presidente não poderia ser trocado simplesmente por outro nome do partido sem perda de competitividade. “Se o Lula desistir, o PT vai entregar aí a sua popularidade, o Lula particularmente, vai entregar sua popularidade a um candidato de direita”, afirmou.

Rui também argumentou que não existe, neste momento, um substituto viável dentro do PT que consiga agregar o mesmo espectro político e social. “Não tem substituto pro Lula não ser um candidato da terceira via”, disse. Para ele, por essa razão, o presidente nem sequer sinalizou até agora disposição de abandonar a disputa.

Ainda assim, Rui ponderou que uma eventual mudança de cenário mais dramática poderia alterar esse cálculo. Segundo ele, Lula é um político ativo, que trabalhou para construir as condições de sua candidatura, mas poderia rever a decisão caso a situação eleitoral se tornasse extremamente delicada. “Eu acho que se a situação ficasse muito delicada, haveria a possibilidade dele não concorrer”, declarou.

Bolsonarismo segue forte e mantém capacidade de mobilização

Um dos pontos centrais da entrevista foi a avaliação de que o bolsonarismo não enfraqueceu após as eleições anteriores e continua sendo uma força relevante no cenário político. Rui destacou que o movimento possui uma base social organizada, presença nas redes e influência em setores como igrejas e grupos independentes.

“A campanha do Flávio Bolsonaro não é só ele falando na televisão”, afirmou. Segundo ele, o bolsonarismo conta com múltiplos canais de mobilização. “Eles têm muita capacidade de fazer campanha, não é pouca coisa não”.

Na análise do dirigente, essa estrutura amplia o alcance político da direita e permite que sua narrativa se espalhe mesmo sem centralização formal, o que representa um desafio adicional para o campo progressista.

Críticas ao PT: moderação excessiva e falta de enfrentamento

Rui Costa Pimenta também fez críticas à estratégia do governo Lula e do PT, apontando um excesso de moderação e ausência de enfrentamento político mais claro. Para ele, o partido tem evitado assumir uma polarização ideológica pela esquerda, o que abre espaço para a direita definir os termos do debate.

“Se o PT não assumir a polarização ideológica pela esquerda, quem vai ditar o tom da polarização vai ser a direita”, afirmou.

Ele classificou a postura do governo como “conformista”, afirmando que houve pouca iniciativa para mobilizar a população em torno de temas estruturais, como privatizações e política econômica. “A política do Lula é uma política muito conformista”, disse.

Segundo Rui, mesmo sem maioria no Congresso, o governo poderia ter adotado uma postura mais ativa no debate público, construindo uma narrativa política mais forte.

Juventude e desgaste da esquerda

Outro ponto abordado foi a relação da juventude com a política. Rui avaliou que há um afastamento crescente de jovens em relação à esquerda, resultado de frustração com a falta de mudanças estruturais.

Na sua leitura, a esquerda passou a ser vista como parte do sistema, o que gera rejeição entre setores mais jovens. “O PT aparece como sendo status quo”, afirmou.

Ele destacou que, diante da insatisfação social, parte da juventude acaba se voltando para alternativas à direita, mesmo quando essas propostas não oferecem soluções concretas. “A decepção, a frustração é com a esquerda, é com o sistema”, disse.

Partido burocratizado e dependência de Lula

Rui também comentou a dinâmica interna do PT, afirmando que o partido se tornou excessivamente burocrático e dependente da liderança de Lula. Segundo ele, há falta de protagonismo de outros quadros políticos.

“É um partido burocrático, um partido que vive ali daquela vidinha no Congresso Nacional”, afirmou.

Para o dirigente, isso explica a superexposição do presidente, que acaba concentrando a articulação política e a comunicação do governo.

Economia, juros e dívida pública

Na área econômica, Rui criticou a condução da política monetária e a manutenção de juros elevados, apontando impactos negativos sobre a economia e a população.

Ele defendeu a necessidade de enfrentar questões estruturais, como a dívida pública. “Vamos acabar com essa ditadura, vamos acabar com esse estrangulamento, vamos fazer auditoria”, afirmou.

Segundo ele, o país vive um cenário em que grande parte dos recursos públicos é direcionada ao pagamento de juros, enquanto parcelas significativas da população enfrentam dificuldades econômicas.

Terceira via enfraquecida e polarização dominante

Ao analisar o cenário eleitoral, Rui afirmou que a chamada terceira via sofreu um enfraquecimento significativo, especialmente após a desistência de nomes como Ratinho Júnior.

“A desistência do Ratinho Júnior foi uma manobra bem feita do Flávio Bolsonaro”, disse.

Para ele, figuras como Ronaldo Caiado e Eduardo Leite não apresentam força suficiente para reorganizar esse campo político, o que reforça a tendência de polarização entre Lula e o bolsonarismo.

Rui concluiu que a eleição de 2026 será marcada por grande disputa, incerteza e fatores externos que ainda podem alterar o cenário. Apesar disso, reconheceu que Lula continua sendo um candidato competitivo.

“O Lula é um candidato altamente competitivo. Só destaco que a coisa não está fácil não”, afirmou.

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