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Rui Costa Pimenta alerta que a esquerda não pode virar avalista do escândalo do Banco Master no STF

Dirigente do PCO critica sigilo, pede transparência e diz que a conivência pode virar desastre político para o presidente Lula e para toda a esquerda

Presidente do PCO, Rui Costa Pimenta (Foto: Editora 247)

247 – Em entrevista à TV 247, o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou que “é inadmissível para a esquerda ser avalista do que está acontecendo no STF nesse momento”, ao comentar a crise envolvendo o Banco Master e a atuação do Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, um escândalo financeiro dessa magnitude exige transparência e afastamento de autoridades supostamente comprometidas com o caso.

A conversa percorreu temas internacionais (como a política de Donald Trump e tensões dentro do bloco imperialista), debates sobre identitarismo e endurecimento penal, e desembocou no ponto central do programa: o risco de a esquerda se associar à blindagem do STF num episódio que, na visão de Rui, tem elementos de conflito dentro da própria classe dominante e potencial de se tornar “um desastre” eleitoral e histórico.

Crise no STF e Banco Master: “transparência é essencial”

Rui Costa Pimenta sustentou que o caso não pode permanecer sob condução de ministros que, na sua avaliação, estariam comprometidos. Ele afirmou: “O Toffoli está envolvido no escândalo. Isso é óbvio, né? Ele teria que abandonar o inquérito, teria que sair da mão dele, teria que sair da mão do STF, inclusive o STF todo está comprometido”. Em seguida, foi ainda mais direto sobre o formato de tramitação: “o processo não pode transcorrer em segredo de justiça, porque é muito óbvio que o segredo de justiça é para esconder da população a falcatrua. Por que que teria em segredo de justiça? Não faz sentido absolutamente nenhum”.

O dirigente também descreveu o cenário como uma crise “em banho maria”, não por falta de gravidade, mas pelo modo como setores do poder estariam tentando administrar danos. “É uma situação muito grave. Ela só não é mais grave porque a burguesia está tratando a coisa com uma campanha super moderada… E é super moderada por quê? Porque tem um monte de gente envolvida”, disse, acrescentando que a própria esquerda, segundo ele, se omite: “A esquerda não fala nada, né? A esquerda virou avalista agora também da corrupção, né? A esquerda não fala nada”.

O risco político: defender o STF pode virar “tiro no pé”

Um dos eixos mais sensíveis da entrevista foi o alerta sobre os custos políticos de uma postura de blindagem institucional. Rui argumentou que, mesmo entre pessoas que agem “de boa fé” para evitar uma ofensiva de tipo lavajatista contra o presidente Lula e o campo progressista, a estratégia pode se inverter. “Pode ser o contrário, porque isso aí pode se transformar num escândalo muito maior do que já está. E na minha opinião, o escândalo ele não vem diminuindo, ele vem crescendo, né? E isso daí pode ser um desastre, não só para eleição do Lula, pode ser um desastre para toda a esquerda, pode ser um desastre da esquerda que vai ser capitalizado pela direita”, declarou.

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