"O STF já está condenado na opinião pública – e Lula tenta se afastar", diz Rui Costa Pimenta
Presidente do PCO afirma à TV 247 que desgaste do Supremo, agravado pelo caso Banco Master, pressiona o presidente Lula e pode impactar a disputa eleitoral
247 – Em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira, 10 de abril, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca se distanciar politicamente do Supremo Tribunal Federal (STF), diante do desgaste crescente da Corte perante a opinião pública. A análise foi feita durante o programa semanal exibido no canal da TV 247.
Segundo Rui, o movimento recente de Lula, ao comentar o papel do ministro Alexandre de Moraes em um caso polêmico, revela uma tentativa de reduzir os danos políticos de uma associação entre o governo e o STF. “Eu achei um pouco desajeitada a tentativa do Lula de se desvencilhar do Supremo”, afirmou.
Desgaste do STF atinge ambiente político do governo
Na avaliação do dirigente do PCO, a crise envolvendo o Banco Master ampliou significativamente a percepção negativa do Supremo entre a população, criando um ambiente político adverso que ultrapassa os limites do Judiciário e alcança o governo federal.
“O STF já tá condenado na opinião pública”, disse Rui, ao sustentar que o problema deixou de ser apenas institucional e passou a ter impacto direto na arena eleitoral.
Ele destacou que as suspeitas envolvendo integrantes do tribunal e seus vínculos indiretos com o caso agravaram a situação. “Nós estamos vivendo uma situação que é um grande escândalo”, declarou.
Para Rui Costa Pimenta, a gravidade do episódio exigiria medidas mais drásticas dentro do próprio STF. “A maneira de livrar o problema seria a renúncia do Alexandre Moraes e do Toffoli”, afirmou.
Lula tenta marcar distância, mas resposta foi criticada
Ao comentar a entrevista recente do presidente Lula, em que mencionou ter sugerido a Moraes que se declarasse impedido em determinado caso, Rui avaliou que o presidente acabou se envolvendo excessivamente no tema.
Para ele, Lula deveria ter adotado uma postura mais institucional e menos personalizada. “Eu acho que ele tinha que ter sido um pouco mais safo nessa pergunta”, afirmou.
Rui também criticou o uso da palavra “companheiro” ao se referir a Alexandre de Moraes, argumentando que a expressão pode reforçar a percepção de proximidade política entre o Executivo e o Judiciário. “Eu acho que ele teria que tomar muita distância disso”, disse.
Na avaliação do dirigente, esse tipo de declaração tende a ser explorado politicamente pela extrema direita. “Isso aí vai virar um meme da extrema direita”, afirmou.
Impacto eleitoral e estratégia da oposição
Rui Costa Pimenta alertou que o desgaste do STF pode ser instrumentalizado pelos adversários de Lula, especialmente pelo campo bolsonarista, que teria interesse em deslegitimar decisões judiciais e enfraquecer a imagem do sistema institucional.
“O Lula, ele tem adversário na eleição e não é um adversário qualquer, é um adversário poderoso”, disse.
Ele apontou que uma das estratégias da direita seria associar o presidente ao ministro Alexandre de Moraes, explorando eventuais fragilidades. “A coisa mais conveniente para os bolsonaristas é mostrar que o Alexandre Moraes é um corrupto”, afirmou.
Nesse cenário, qualquer sinal de proximidade entre Lula e o STF poderia ampliar o desgaste político do presidente na disputa de 2026.
Pressões políticas e cenário para 2026
Durante a entrevista, Rui também abordou o ambiente eleitoral e sugeriu que setores da burguesia podem estar trabalhando para construir alternativas dentro do próprio campo governista.
Ele mencionou a possibilidade de fortalecimento do nome do ministro Fernando Haddad como alternativa a Lula. “É possível”, disse, ao comentar a hipótese de pesquisas eleitorais impulsionarem essa narrativa.
Rui avaliou que Haddad é visto com simpatia pelo mercado financeiro. “O mercado financeiro vê ele como um elemento de direita dentro do PT”, afirmou.
Segundo ele, uma eventual desistência de Lula poderia abrir espaço para uma reconfiguração ampla da disputa. “A desistência do Lula abriria a avenida para a ressurreição da terceira via”, declarou.
Comunicação sob pressão e erros políticos
O dirigente do PCO também fez críticas à comunicação do governo, afirmando que Lula, embora seja reconhecido como um bom comunicador, tem cometido erros que acabam favorecendo seus adversários.
“O Lula é um bom comunicador, mas ele tem cometido erros aí primários”, disse.
Para Rui, esses equívocos refletem a pressão crescente sobre o presidente em um cenário político cada vez mais tenso. “Isso mostra que ele tá sob uma pressão gigantesca”, afirmou.
Lula segue como figura central, mas sem sucessor claro
Ao analisar o futuro político do país, Rui destacou que Lula continua sendo uma figura singular dentro do PT e da política brasileira, sem um sucessor evidente com a mesma força histórica e social.
“O Lula é único dentro do PT, não há outra pessoa”, afirmou.
Ele ressaltou que o apoio ao presidente vai além de uma identificação ideológica, sendo sustentado por uma base social construída ao longo de décadas. “A maior parte do voto do Lula é o voto não ideológico”, disse.
Distanciamento expõe fragilidade do momento político
No conjunto da entrevista, Rui Costa Pimenta traçou um diagnóstico de alerta para o campo governista. Segundo ele, o afastamento de Lula em relação ao STF não é apenas um movimento tático, mas um sinal das dificuldades enfrentadas pelo governo diante do desgaste institucional.
Embora tenha reconhecido a tentativa de Lula de se posicionar, Rui avaliou que a estratégia ainda não foi bem executada. Para ele, o presidente percebeu o problema, mas ainda não encontrou a forma mais eficaz de lidar com a crise.
A avaliação final do dirigente aponta para um cenário em que o desgaste do STF, somado às pressões políticas e eleitorais, pode se tornar um fator decisivo na dinâmica da disputa presidencial de 2026.


