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'Saí da vida pública', diz Temer sobre honorários milionários pagos pelo Banco Master

Ex-presidente Michel Temer diz que atuação foi jurídica e ocorreu antes da intervenção do Banco Central no Master

Michel Temer (Foto: Reuters)

247 - O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que os valores recebidos do Banco Master correspondem a honorários advocatícios por serviços prestados antes da intervenção do Banco Central, destacando que deixou a vida pública e passou a viver exclusivamente da advocacia.

Em entrevista à CNN Brasil, Temer admitiu nesta sexta-feira (10) ter recebido pagamentos relacionados à instituição financeira, mas ressaltou que os valores não têm caráter salarial. “Não recebi dinheiro, recebi honorários, sou advogado [...] Há mais de quatro meses, eu fiz um Roda Viva e me perguntaram, eu disse: ‘Eu fui contratado, eu saí da vida pública e tinha que sobreviver, e sobrevivo com a minha profissão, que é advogado”, declarou.

Dados da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime indicam que o Banco Master declarou pagamentos elevados a diversos nomes ligados à política e à advocacia, incluindo o ex-mandatário. Segundo declarações do imposto de Renda do banco, o escritório do ex-presidente teria recebido R$ 10 milhões. A defesa contesta o valor e afirma que o montante efetivamente pago foi de R$ 7,5 milhões.

Outros nomes também aparecem nas declarações, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o advogado Fabio Wajngarten, que já ocupou cargos no governo Jair Bolsonaro (PL).

Atuação antes da liquidação do banco

Segundo o ex-presidente, sua atuação ocorreu antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Temer afirmou que prestou serviços de consultoria jurídica e intermediação até o momento em que o processo foi interrompido. “Fui até certo ponto e, como não deu certo, veio a liquidação, aí ficou tudo paralisado”, disse.

Ele também confirmou que participou de uma reunião em Brasília com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o então presidente do Banco de Brasília (BRB), com a presença do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master à época. “Eu fui contratado para fazer essa intermediação e essa consultoria jurídica”, reiterou.

investigação envolve fraudes e outras instituições

O Banco Master é alvo de investigações por suspeitas de fraudes e irregularidades financeiras. No mesmo dia em que a liquidação foi decretada, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.

As apurações também envolvem operações com outras instituições, incluindo o BRB. Em setembro de 2025, o banco público tentou adquirir o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central após suspeitas sobre a consistência dos ativos apresentados.

As investigações apontam que os ativos oferecidos não possuíam lastro real. Há ainda indícios, segundo a Polícia Federal, de que o BRB tinha conhecimento das irregularidades, o que levanta suspeitas sobre eventual participação no esquema.

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