'Se Bolsonaro morrer na cadeia, Flávio será presidente', alerta Otoni de Paula
Deputado critica prisão de Bolsonaro, que estaria “altamente debilitado”, e diz que “comoção” pode tomar o país se “uma desgraça acontecer”
247 - O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou que a eventual morte de Jair Bolsonaro (PL) enquanto estiver preso poderia provocar uma forte comoção nacional e alterar completamente o cenário político brasileiro. A declaração foi feita em um vídeo publicado pelo parlamentar nas redes sociais na terça-feira (6), no qual ele critica a situação do ex-presidente e faz um alerta direcionado a setores da esquerda.
No vídeo divulgado em suas redes, Otoni de Paula diz que parte da esquerda estaria comemorando as dificuldades enfrentadas por Bolsonaro na prisão, mas adverte que esse sentimento poderia se voltar contra seus próprios interesses políticos. Segundo o deputado, o quadro de saúde do ex-presidente e o simbolismo de uma eventual tragédia teriam impacto direto no processo eleitoral e na disputa pelo poder.
Durante a gravação, o parlamentar reconhece que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem chances reais de buscar um quarto mandato, mas ressalta que o cenário ainda é instável. “Estou vendo parte da esquerda, mais da extrema esquerda, porque acredito que as pessoas sensatas, de bem, não comemoram, quer de Lula, quer de Bolsonaro… Mas presta atenção: as chances de Lula ter um quarto mandato são reais. Eu tenho que admitir isso”, afirmou. Em seguida, acrescentou que a direita estaria dividida e que o senado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não seria um nome capaz de unificar o campo político conservador, além de enfrentar elevada rejeição nas pesquisas.
Otoni de Paula, no entanto, sustenta que esse quadro pode mudar de forma abrupta. “Tudo pode mudar, e é por isso que estou chamando a atenção da esquerda. Não comemorem, porque se Bolsonaro tiver um problema e morrer na cadeia, rapaz, tudo vai mudar”, disse. O deputado comparou a possível repercussão ao evento de Juiz de Fora durante a campanha de 2018. "Vai ser potencializado dez vezes mais”, declarou.
Na sequência, o parlamentar afirma que Bolsonaro estaria em condições físicas delicadas e volta a alertar sobre as consequências políticas de uma eventual tragédia. “Por isso, vocês que estão comemorando e pensando que é bom mesmo que ele sofra na cadeia, mesmo estando altamente debilitado, saibam disso. Vocês correm o risco de hoje estarem felizes e amanhã uma desgraça acontecer, uma comoção tomar o país novamente”, afirmou. Para Otoni, nesse cenário, a bênção política do ex-presidente seria decisiva: “E aí não importa se é Flávio ou quem quer que tenha a benção de Bolsonaro, vai ser presidente do Brasil”.
As declarações ocorrem em meio a novos desdobramentos envolvendo a saúde de Jair Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (7) que o ex-presidente realize exames médicos no hospital DF Star, no Distrito Federal. A decisão foi tomada após Bolsonaro sofrer uma queda e bater a cabeça na sala onde está custodiado, na Superintendência da Polícia Federal.
Na determinação, Moraes estabeleceu que o transporte e a segurança do ex-presidente devem ser feitos de forma discreta pela Polícia Federal, com desembarque pela garagem do hospital. O ministro também ressaltou que a PF deverá garantir “a completa vigilância e segurança do custodiado durante a realização dos exames e o posterior retorno à Superintendência da Polícia Federal”.
Na terça-feira (6), Moraes havia negado um pedido da defesa para remoção imediata de Bolsonaro ao hospital. Inicialmente, o ex-presidente foi avaliado por um médico da própria Polícia Federal. Após a negativa, os advogados reiteraram a solicitação e apresentaram uma lista de exames considerados necessários, entre eles tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma.
Bolsonaro passou mal e caiu durante a madrugada de terça-feira, no local onde cumpre pena. A informação foi divulgada nas redes sociais pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e confirmada posteriormente pelo médico do ex-presidente. De acordo com o cirurgião Claudio Birolini, Bolsonaro “se sentiu mal, caiu da cama onde dorme na sala de Estado-maior e teve um traumatismo cranioencefálico (TCE) leve”.
O episódio ocorreu seis dias depois de Bolsonaro receber alta hospitalar após procedimentos médicos relacionados ao tratamento de uma hérnia e de um quadro persistente de soluços, o que reforçou o debate sobre as condições de saúde do ex-presidente enquanto permanece sob custódia.



