STF apontou transferência de R$ 9 milhões de Vorcaro para o pai
Decisão do STF mencionou transferência milionária a Henrique Vorcaro, alvo da nova fase da operação Compliance Zero
247 - Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso na manhã desta quinta-feira (14) durante a nova fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O nome de Henrique já havia aparecido em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) publicada em janeiro deste ano. Na ocasião, o ministro Dias Toffoli apontou uma transferência de R$ 9 milhões feita por um intermediário ligado ao Master para Henrique Moura Vorcaro, em meio às suspeitas de irregularidades financeiras investigadas pela Polícia Federal.
Segundo as investigações, Henrique Vorcaro teria atuado ao lado do filho na contratação e no financiamento da chamada “Turma”, grupo suspeito de interferir em investigações relacionadas ao Caso Master. De acordo com a PF, ele também exerceria a função de operador financeiro dos pagamentos destinados à organização.
Conforme informações disponíveis em seu perfil no LinkedIn, Henrique Vorcaro ocupa o cargo de diretor-presidente do Grupo Multipar. A empresa está sob investigação por suspeita de manter atividades financeiras relacionadas ao Banco Master.
Na decisão assinada em janeiro, o ministro Dias Toffoli destacou que as investigações identificaram “empresas com capital social ínfimo que cediam direitos creditórios milionários para FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) vinculados ao Banco Master”. O documento também menciona “movimentações financeiras suspeitas, incluindo uma transferência de R$ 9 milhões de um intermediário para Henrique Moura Vorcaro”, apontando “fortes indícios de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro”.
A nova etapa da operação foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde Henrique Vorcaro foi localizado e preso.
Na decisão, Mendonça afirmou que “a prisão preventiva dos principais operadores se justifica pela gravidade concreta dos fatos, pela contemporaneidade da atuação criminosa, pelo risco de reiteração dos ilícitos e pelo potencial de embaraço às investigações”.
As apurações conduzidas pela Polícia Federal indicam que o grupo investigado teria sido contratado para atuar em ações de monitoramento, vigilância e coleta de informações sobre adversários e autoridades envolvidas nas investigações. Segundo a PF, integrantes da organização chegaram a acessar dados do Ministério Público Federal, da própria Polícia Federal e até de órgãos internacionais, como FBI e Interpol.



