Toffoli afirma que não recebeu dados da quebra de sigilo de Vorcaro
Ministro do STF diz que material extraído pela PF do celular do banqueiro só chegou ao Supremo após mudança de relatoria para André Mendonça
247 - O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (6) que o magistrado não teve acesso ao conteúdo extraído pela Polícia Federal (PF) do celular do banqueiro Daniel Vorcaro durante o período em que foi relator das investigações envolvendo o Banco Master.
O material obtido pela PF só teria sido encaminhado ao Supremo após a mudança na relatoria do processo, que passou ao ministro André Mendonça em 12 de fevereiro deste ano.
As mensagens localizadas pela Polícia Federal contribuíram para a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero nesta semana. A nova etapa da investigação resultou na volta de Vorcaro à prisão e, segundo investigadores, trouxe indícios de uma estrutura criminosa baseada em práticas de corrupção.
Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o conteúdo dos aparelhos apreendidos não havia sido remetido ao STF enquanto o ministro estava responsável pelo processo. Segundo o comunicado, “até o dia 12 de fevereiro de 2026, o material retirado dos aparelhos celulares apreendidos não havia sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal”.
A manifestação também menciona uma decisão proferida pelo próprio ministro antes da mudança na relatoria. Conforme a nota, “devendo-se salientar que a última decisão por mim proferida nestes autos, em 12 de janeiro de 2026, foi justamente para determinar que a Polícia Federal encaminhasse o material ao Supremo”.
O gabinete acrescentou ainda que, durante o período em que Toffoli conduziu o processo, todas as solicitações feitas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República foram autorizadas. Segundo o comunicado, “todas as medidas requeridas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República” foram autorizadas, permitindo que as investigações seguissem de forma regular.
Ainda de acordo com a nota, o andamento das apurações não sofreu prejuízo. O gabinete afirmou que “as investigações continuaram a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos e nenhum pedido de nulidade foi deferido”.


