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Toffoli usou avião ligado a Vorcaro, indicam registros

Registros da Anac e do Decea indicam uso de aeronave privada ligada a uma empresa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em viagem ao resort Tayayá

Dias Toffoli, 12 de fevereiro de 2026 (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, utilizou uma aeronave vinculada a uma empresa associada ao empresário Daniel Vorcaro em um deslocamento realizado em 2025. Registros oficiais indicam que o magistrado embarcou em voo privado com destino ao interior paulista, em trajeto relacionado ao resort Tayayá, que costuma frequentar. Segundo a Folha de São Paulo, os dados constam em documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que detalham entradas do ministro em terminais executivos e voos realizados ao longo do ano.

Registros apontam voo em aeronave privada

Segundo os dados, Toffoli acessou o terminal executivo do aeroporto de Brasília na manhã de 4 de julho de 2025. Pouco depois, uma aeronave da Prime Aviation, prefixo PR-SAD, decolou às 10h10 com destino a Marília (SP), cidade natal do ministro.

Na mesma data, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo foram deslocados para Ribeirão Claro (PR), município onde está localizado o resort Tayayá, a cerca de 150 quilômetros de Marília. De acordo com o tribunal, a medida atendeu a solicitação do STF para dar suporte a uma autoridade.

Relações com o resort Tayayá

O Tayayá é frequentado por Toffoli, que manteve participação indireta no empreendimento até o ano passado, por meio da empresa Maridt Participações, ligada a familiares. Também figurava como sócio Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, através do fundo Arleen.

Outros registros indicam voos em aeronaves ligadas a empresários com conexão ao resort. Um deles ocorreu em 17 de junho, quando um avião da Petras Participações decolou de Brasília para Ourinhos (SP), aeroporto próximo ao Tayayá. Outro voo foi registrado em 1º de outubro, com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Uso recorrente de jatos privados

Os documentos mostram dez entradas de Toffoli no terminal executivo de Brasília em 2025. Em pelo menos seis ocasiões, foi possível identificar as aeronaves utilizadas a partir do cruzamento de horários de pousos e decolagens. Em cinco desses casos, os aviões pertenciam a empresários.

Entre eles, aparece também uma aeronave da empresa Ibrame, do empresário Luiz Pastore. Em 10 de abril de 2025, Toffoli embarcou em Brasília em voo com destino a São Paulo. Pastore é apontado como amigo do ministro e já havia disponibilizado aeronave para outra viagem, em novembro, ao Peru.

Ausência de respostas e posicionamentos

Procurado, Toffoli não respondeu aos questionamentos da reportagem. A defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou. Em nota, a Prime Aviation afirmou que não divulga dados sobre usuários de suas aeronaves, citando cláusulas de confidencialidade e a Lei Geral de Proteção de Dados.

Os registros indicam ainda que o uso de aeronaves privadas não é exclusivo de Toffoli. Levantamento semelhante aponta que o ministro Alexandre de Moraes também realizou voos em jatos ligados a empresas de Vorcaro, com registros de embarques em horários compatíveis com essas operações.

Contexto de investigação

O caso ocorre em meio a apurações envolvendo o Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro. Em janeiro, a Folha de S.Paulo revelou que empresas da família de Toffoli haviam participado de uma suposta rede fraudulenta de fundos de investimento ligados ao banco.

A revelação levou o ministro a deixar a relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal em fevereiro, ampliando o debate sobre possíveis conexões entre autoridades e empresários ligados ao setor financeiro.

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