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Trump diz não temer combates ao estilo da guerra com o Vietnã com Irã: 'não tenho medo de nada'

Declaração sobre a possibilidade do envio de tropas terrestres ao Oriente Médio amplia tensão e levanta risco de guerra prolongada

Trump diz não temer combates ao estilo da guerra com o Vietnã com Irã: 'não tenho medo de nada' (Foto: Creative Commons | AP | Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (17) que não teme a possibilidade de enviar tropas terrestres ao Irã, em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio. A declaração, segundo o jornal britânico Daily Mail, foi feita durante encontro no Salão Oval com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, e reforça o tom mais duro adotado pela Casa Branca.

Questionado sobre o risco de o conflito se transformar em uma situação semelhante à Guerra do Vietnã, Trump respondeu: “Não”. Em seguida, completou: “não tenho medo de nada”.

Trump admite possibilidade de invasão terrestre

O presidente voltou a indicar que considera o envio de tropas uma alternativa possível, embora não tenha especificado em quais condições isso ocorreria. Segundo ele, a medida seria adotada apenas se considerada necessária.

Durante a reunião, Trump também mencionou a capacidade militar dos Estados Unidos para atingir o Irã. “Poderíamos eliminar toda a capacidade elétrica deles em uma hora”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Não há nada que eles possam fazer”.

Apesar de declarar publicamente que a guerra poderia durar poucas semanas, há divergências internas no governo sobre esse cenário.

Governo enfrenta críticas e renúncia importante

A escalada do conflito coincide com a renúncia do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, que deixou o cargo após discordar da condução da guerra.

Ao comentar o episódio, Trump afirmou que “sempre achei que ele fosse um cara legal, mas achei que ele era muito fraco em segurança. Muito fraco mesmo”. “Mas quando li a declaração dele, percebi que é bom que ele tenha saído, porque ele disse que o Irã não era uma ameaça”, afirmou mais à frente. 

Na carta de saída, Kent criticou abertamente a guerra. “O Irã se posicionou. Não há ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano”, destacou..

Fontes ouvidas pelo site Axios indicam que o conflito pode se estender até setembro, prazo mais longo do que o previsto inicialmente pelo governo.

Movimentação militar aumenta tensão

Enquanto o debate político se intensifica, os Estados Unidos avançam na mobilização militar. Cerca de 2 mil fuzileiros navais foram deslocados, juntamente com navios da Marinha, a partir do Pacífico, nas proximidades das Filipinas.

O grupo inclui embarcações como o USS Tripoli e o USS New Orleans, capazes de transportar milhares de militares e aeronaves de combate. No total, a força reúne aproximadamente 5 mil integrantes. A previsão é que os navios cheguem ao Oriente Médio entre dez e quinze dias após o envio, o que colocaria as tropas próximas ao Irã ainda neste mês.

Congresso e opinião pública reagem

A possibilidade de envio de tropas terrestres tem gerado preocupação no Congresso dos Estados Unidos.“Parece que estamos caminhando para o envio de tropas americanas para o solo iraniano”, disse o senador democrata Richard Blumenthal.

Ele também criticou a falta de transparência ao afirmar que “o povo americano merece saber muito mais do que esta administração tem lhes dito sobre o custo da guerra, o perigo para nossos filhos e filhas fardados e o potencial para uma escalada e expansão ainda maiores desta guerra”.

Pesquisa da Quinnipiac divulgada em 9 de março mostra que 74% dos americanos são contra o envio de tropas ao Irã, enquanto 53% se opõem ao conflito de forma geral.

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