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Vazamentos do celular de Vorcaro irritam André Mendonça

Ministro havia preservado trechos do conteúdo extraído do celular que poderiam comprometer etapas futuras do processo

André Mendonça (Foto: Gustavo Moreno/STF )

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça demonstrou forte incômodo com a divulgação recente de trechos de material sigiloso apreendido pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A reação ocorreu enquanto o magistrado estava na Alemanha, onde participou de um evento acadêmico na Universidade de Frankfurt, relata Lauro Jardim, do jornal O Globo.

De acordo com pessoas próximas ao gabinete de Mendonça, a decisão que determinou a prisão de Vorcaro, assinada na terça-feira (3) anterior à operação, deixou de fora propositalmente alguns trechos do relatório produzido na investigação. A avaliação da equipe do ministro era de que determinados elementos poderiam comprometer etapas futuras do processo caso fossem divulgados naquele momento.

Segundo interlocutores do gabinete, apenas o que “dava para colocar” foi incluído na fundamentação jurídica que autorizou a prisão preventiva do ex-banqueiro e de três pessoas associadas a ele. O documento com os fundamentos da decisão foi tornado público pelo ministro logo após a realização da operação policial.

Compartilhamento de provas ampliou acesso aos dados

Parte do material considerado sensível foi encaminhada pela Polícia Federal a diferentes instituições envolvidas no caso. Entre os destinatários estão a CPMI do INSS, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e as equipes de defesa dos investigados.

A circulação dessas informações ampliou o número de atores com acesso aos dados obtidos a partir da quebra de sigilo de Vorcaro, o que passou a preocupar o gabinete do ministro diante do surgimento de vazamentos nos últimos dias.

STF manda investigar 

Mendonça determinou na sexta-feira (6) a abertura de um inquérito policial para investigar a divulgação de conteúdos derivados da quebra de sigilo do celular do ex-banqueiro. A medida foi tomada após solicitação apresentada pela defesa de Vorcaro.

Na decisão, o ministro ressaltou que a apuração deve respeitar a garantia constitucional do sigilo da fonte, princípio fundamental para o exercício da atividade jornalística no Brasil. O objetivo da investigação será identificar a origem da divulgação indevida das informações sigilosas que estavam sob responsabilidade de órgãos públicos e da CPMI.

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