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“Vorcaro ia comprar o Brasil”, afirma Roberto Tardelli

Jurista diz que caso envolvendo Banco Master, Flávio Bolsonaro e filme sobre Jair Bolsonaro expõe engrenagem de poder

Daniel Vorcaro (Foto: José Cruz/Agência Brasil I Reprodução)
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247 - O jurista Roberto Tardelli afirmou, nesta sexta-feira (22), no programa Giro das Onze, do Brasil 247, que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, buscava ampliar sua influência sobre a política brasileira por meio de relações financeiras com integrantes da extrema direita. “O Vorcaro ia comprar o Brasil”, disse.

Para Tardelli, o caso deixou de ser apenas um escândalo financeiro ligado ao Banco Master e passou a atingir diretamente o núcleo político do bolsonarismo. “Antes a gente imaginava o Vorcaro como um fraudador de um esquema de fundo de pensão e de INSS, o que já em si é muito grave. Mas a coisa começa a aumentar”, afirmou.

Segundo o jurista, as revelações em torno de Vorcaro indicam uma rede mais ampla de influência, com ramificações na política, no financiamento de projetos e em possíveis movimentações internacionais. Ele destacou “a facilidade com que ele distribuía dinheiro em cachoeira, em catarata, para essa turma”.

Tardelli relacionou o caso ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro que se tornou alvo de questionamentos sobre a origem dos recursos e a estrutura de financiamento. Para ele, a situação contrasta com a realidade do setor cultural no Brasil. “Eu conheço gente que trabalha com financiamento de filmes. É um sofrimento sanguíneo, sanguinolento você obter financiamento para a produção”, disse.

O jurista afirmou que as regras de financiamento cultural são complexas justamente para evitar fraudes e lavagem de dinheiro. “O financiamento para as artes é extremamente dificultoso, exatamente para se evitar a lavagem de dinheiro, que é a porta aberta para esse tipo de situação”, declarou.

Na avaliação de Tardelli, ainda há dúvidas sobre quanto o filme arrecadou, quanto recebeu e quanto efetivamente gastou. Ele também criticou as explicações de Mário Frias sobre supostos investidores sigilosos na produção. “Cláusula de confidencialidade em financiamento de filme é uma coisa fora do roteiro”, afirmou.

A situação de Flávio Bolsonaro foi outro eixo da análise. Para Tardelli, o senador se colocou em alta exposição ao assumir o papel de herdeiro político de Jair Bolsonaro para a disputa presidencial. “Ele se impôs como ungido pelo pai Jair Bolsonaro a concorrer à Presidência da República contra Luís Inácio Lula da Silva”, disse.

Segundo o jurista, essa condição obriga Flávio a dar explicações públicas. “Essa posição dele de extrema exposição o obriga a esclarecer aquilo que não tem explicação”, afirmou. Tardelli disse ainda que o senador tentou inicialmente minimizar sua relação com Vorcaro, mas passou a reconhecer vínculos “a conta-gotas”.

O pedido de apreensão de passaportes ganhou destaque porque Flávio Bolsonaro teria viagem prevista aos Estados Unidos. Para Tardelli, se a hipótese de fuga se confirmar, o país poderá assistir a uma cena inédita. “Nós vamos ter um candidato à Presidência da República com larga margem, com largo espectro de pesquisa, fugindo para não ser preso por lavagem, por crime comum”, disse.

O jurista também criticou uma eventual delação de Daniel Vorcaro que permita ao investigado manter parte dos valores sob suspeita. “O problema é você admitir que o delator colabore, mas que o Estado [...] admita que ele fica com parte daquilo que ele roubou”, afirmou.

Para Tardelli, esse tipo de negociação transmite a ideia de que grandes crimes financeiros podem compensar. “O crime passa a compensar para o criminoso gigante”, disse. Ele defendeu a devolução integral de valores ilícitos: “Não se pode admitir falar assim: ‘Eu devolvo 40, 60, 80’. Tem que devolver tudo”.

Tardelli também avaliou que uma eventual CPI do Banco Master representaria risco elevado para diferentes setores da política. “Uma CPI do Banco Master é uma CPI de altíssimo risco. Não se sabe para onde ela vai, não se sabe quem ela vai pegar, não se sabe quais calcanhares ela irá morder”, declarou.

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