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Agressão de Trump e Netanyahu ao Irã provoca a maior crise do mercado de petróleo em décadas

Ataques dos Estados Unidos e de Israel e retaliação iraniana elevam risco no Estreito de Ormuz e ameaçam 20% da oferta global de petróleo

Irã é decisivo no mercado de petróleo (Foto: Reuters)

247 – O mercado global de energia enfrenta um dos choques mais graves das últimas décadas após os ataques conjuntos dos Estados Unidos, sob comando do presidente Donald Trump, e de Israel contra o Irã, seguidos de retaliação iraniana com mísseis em diferentes pontos do Golfo Pérsico. A avaliação é da agência Reuters, em análise publicada neste sábado (28) e assinada pelo colunista de energia Ron Bousso.

Segundo a Reuters, a escala da disrupção dependerá da duração do conflito, mas a simples ameaça já é suficiente para impactar severamente os fluxos da região responsável por cerca de 20% da oferta global de petróleo. A incerteza sobre a segurança das rotas marítimas no Golfo e no Estreito de Ormuz, por onde passam quase 20 milhões de barris por dia de petróleo e derivados, eleva a tensão nos mercados.

Os preços do petróleo já vinham subindo nas últimas semanas, diante da expectativa de confronto militar no Oriente Médio. O barril do Brent atingiu cerca de US$ 70, o nível mais alto desde agosto de 2025. A tendência, de acordo com a análise, é de novas altas expressivas quando os mercados reabrirem.

No sábado, Estados Unidos e Israel realizaram ataques militares contra o Irã, mirando líderes do país e ampliando o conflito regional. O presidente Donald Trump afirmou que os ataques eliminariam uma ameaça à segurança dos Estados Unidos e abririam oportunidade para que os iranianos derrubassem seus governantes.

Até o momento, não há confirmação de danos diretos à infraestrutura de petróleo e gás. Ainda assim, explosões foram registradas nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait, dois importantes exportadores de petróleo. O Catar, segundo maior exportador mundial de gás natural liquefeito, informou ter interceptado mísseis direcionados ao seu território.

Também foram ouvidas explosões no Bahrein e nas proximidades da ilha iraniana de Kharg, terminal por onde normalmente escoam cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. Dados de navegação indicam, contudo, que Teerã já havia transferido grande parte do petróleo armazenado no local para navios-tanque nos dias anteriores.

Estreito de Ormuz sob ameaça

Até agora, não há relatos de interrupção total do tráfego pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico entre o Irã e Omã. Historicamente, a via nunca foi completamente bloqueada. Ainda assim, a simples possibilidade de ataques a navios ou de embarcações ficarem retidas no Golfo já levou empresas a suspender temporariamente embarques.

A Reuters informou que algumas grandes companhias petrolíferas e tradings interromperam remessas pelo estreito por alguns dias. As taxas de frete de petroleiros, que já estavam em alta, devem subir ainda mais. O custo de transporte para grandes navios que levam petróleo do Oriente Médio à China mais do que triplicou desde o início do ano, refletindo o risco elevado e a redução da oferta de embarcações dispostas a operar na região.

Analistas destacam que, mesmo sem um bloqueio prolongado, ações pontuais — como ataques rápidos ou a colocação de minas marítimas — poderiam gerar impactos desproporcionais nos preços e no abastecimento global.

Histórico de confrontos no Golfo

A tensão no Estreito de Ormuz tem precedentes. Durante a guerra Irã-Iraque, nos anos 1980, o Irã atacou navios comerciais e embarcações da Marinha dos Estados Unidos, levando o então presidente Ronald Reagan a ordenar a escolta de petroleiros na chamada Operação Earnest Will.

Em 2023, a Marinha iraniana apreendeu o petroleiro Advantage Sweet, fretado pela Chevron, no Golfo de Omã. A embarcação foi liberada mais de um ano depois, evidenciando a vulnerabilidade das rotas energéticas da região.

Mercado tem alguma margem de proteção

Apesar do cenário crítico, o mercado global de petróleo está relativamente abastecido em comparação com outras crises passadas. Nos últimos anos, houve aumento da produção nos Estados Unidos, no Brasil, no Canadá e em outros países.

A Arábia Saudita, maior exportador mundial, ampliou seus embarques recentemente. Segundo dados da empresa de análise Kpler citados pela Reuters, os envios sauditas devem superar 7 milhões de barris por dia em fevereiro, o maior volume desde abril de 2023.

A aliança OPEP+, que reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados como a Rússia, deve discutir aumento de produção em reunião prevista para este domingo.

Ainda assim, qualquer interrupção significativa nas rotas do Oriente Médio pode neutralizar os esforços de ampliação da oferta. Embora Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos disponham de rotas alternativas, grande parte do petróleo da região continua dependente do Estreito de Ormuz.

Risco de escalada prolongada

A análise da Reuters observa que a dimensão dos ataques e a retórica do presidente Donald Trump indicam que Washington pode estar se preparando para uma campanha militar prolongada com o objetivo de enfraquecer severamente a liderança iraniana.

A percepção de ameaça por parte de Teerã poderá determinar o grau de escalada, incluindo eventuais ataques a campos petrolíferos, terminais de exportação e instalações de processamento na região.

Mesmo sem que se concretize o pior cenário, o conflito já é suficiente para provocar uma disrupção significativa nas cadeias globais de energia, em um nível não observado há décadas, colocando o mercado de petróleo diante de sua maior crise recente.

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