Bancos articulam aporte antecipado ao FGC para cobrir rombo deixado pelo Master
Fundo garantidor de Crédito já desembolsou R$ 36 bilhões e bancos querem recomposição antes de discutir mudanças nas regras
247 - O sistema financeiro intensificou as discussões para reforçar o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após os elevados desembolsos provocados pela quebra do banco Master. Entre as alternativas em análise está a antecipação de aportes pelas instituições associadas, considerada uma medida necessária para recompor a liquidez do fundo no curto prazo. Em comunicado, segundo o UOL, o fundo afirmou que “as discussões estão em andamento, e uma deliberação deverá ocorrer no curto prazo”.
Pressão sobre o caixa do FGC após quebra do Master
Até a última sexta-feira (6), o FGC já havia desembolsado R$ 36 bilhões no processo de ressarcimento dos credores do Master. A estimativa do mercado é que o valor total supere R$ 40 bilhões, considerando todas as obrigações decorrentes da liquidação da instituição.
Além disso, o fundo ainda não iniciou o reembolso dos investidores do Will Bank, que integrava o grupo Master e teve a liquidação judicial decretada em janeiro. Nesse caso, os desembolsos são estimados em aproximadamente R$ 6,3 bilhões.
Uso do compulsório entra no radar do mercado
Uma ala do setor financeiro defende que recursos do compulsório de depósitos à vista sejam destinados ao FGC como forma de reforçar sua liquidez. Essa possibilidade, no entanto, depende de autorização do Banco Central (BC), que até o momento não se manifestou sobre o tema.
Bancos defendem reforço antes de mudanças nas regras
Os bancos avaliam que a recomposição do fundo deve ocorrer antes da abertura de um debate mais amplo sobre eventuais reformas em suas regras. Ainda assim, o setor já discute a criação de mecanismos mais rigorosos para acompanhar a qualidade dos balanços das instituições associadas, com o objetivo de responsabilizar bancos que adotem práticas de gestão de risco consideradas pouco transparentes, como a concentração em ativos de baixa liquidez.
Críticas ao uso do FGC como alavancagem
Executivos do setor financeiro avaliam que o fundo acabou sendo utilizado de forma inadequada em determinados modelos de negócio. Na semana passada, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou que interesses particulares se sobrepuseram à estabilidade do sistema. “Algumas plataformas usaram o FGC como modelo de alavancagem do negócio, viabilizando modelos de negócio não sustentáveis”, declarou.


