Caso Master: Castro exonera cúpula do Rioprevidência
Exonerações atingem áreas estratégicas do fundo previdenciário em meio a apurações sobre aplicações de alto risco
247 - A crise no Rioprevidência avançou mais um degrau nesta terça-feira (10), com a exoneração de dois gestores que atuavam em setores considerados centrais da estrutura administrativa do órgão. A decisão ocorre em um momento de forte pressão institucional, após a revelação de investimentos financeiros de alto risco que passaram a ser alvo de investigação da Polícia Federal. As informações são da Agenda do Poder.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, assinou os atos que determinaram a saída de Barbara Schelble, advogada responsável pela Gerência de Controle Interno e Auditoria, e de Oberdan Pereira Manoel Junior, que ocupava a função de gerente de administração, ligado à Diretoria de Administração e Finanças. Ambos tinham atribuições diretamente relacionadas ao acompanhamento de contratos, despesas e rotinas administrativas do fundo previdenciário.
As novas exonerações se somam a outras mudanças recentes na cúpula do Rioprevidência. No fim de janeiro, o então diretor de Administração e Finanças, Alcione Soares Menezes Filho, já havia sido dispensado do cargo. O conjunto de medidas sinaliza uma tentativa do governo estadual de promover uma reestruturação interna diante do avanço das investigações e do desgaste político provocado pelo caso.
A situação se tornou ainda mais grave na semana passada, com a prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, durante uma operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Antunes, que já havia sido exonerado do comando do órgão no mês anterior, é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta, corrupção e desvio de recursos públicos.
No centro das apurações estão nove aplicações financeiras realizadas entre 2023 e 2024, que totalizam cerca de R$ 1 bilhão. Os recursos foram direcionados a títulos classificados como de alto risco do Banco Master, sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. De acordo com os investigadores, as operações ignoraram critérios básicos de segurança financeira e expuseram o patrimônio destinado ao pagamento de aproximadamente 235 mil aposentados e pensionistas do estado.
O caso já vinha sendo acompanhado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que monitorava as movimentações do Rioprevidência há mais de um ano justamente devido ao perfil arriscado dos ativos adquiridos. Em outubro de 2025, o tribunal emitiu um alerta formal sobre a política de investimentos adotada pelo fundo e determinou a proibição de novos aportes em papéis administrados pela instituição financeira sob investigação.


