Brasil participa de reunião sobre minerais críticos com vice-presidente dos EUA
Governo diz que decisão exige análise bilateral e foco em valor agregado
247 - O Brasil participou de uma reunião realizada nos Estados Unidos em que o vice-presidente estadunidense, JD Vance apresentou a proposta de criação de um bloco comercial voltado aos minerais críticos, mas o governo brasileiro ainda avalia se irá integrar formalmente a iniciativa. Segundo integrantes da administração federal, qualquer decisão dependerá de uma análise aprofundada sobre os benefícios concretos para o país. O Itamaraty confirmou à agência Reuters que o Brasil esteve presente no encontro por meio de sua Embaixada em Washington, sem detalhar se haverá adesão ou de que forma poderia ocorrer uma eventual participação.
Proposta dos EUA e cautela brasileira
De acordo com uma fonte do governo brasileiro o, o país está aberto a parcerias internacionais, desde que elas tragam valor agregado à economia nacional. A avaliação interna é de que o tema envolve uma agenda complexa e estratégica, o que exige tratamento bilateral e afasta a possibilidade de uma decisão célere.
A iniciativa surge em meio à intensificação dos esforços do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, para garantir o abastecimento estadunidense de minerais críticos. A estratégia ganhou impulso após a China ter restringido, no ano passado, a oferta de terras raras essenciais para montadoras e outros setores industriais, provocando impactos nos mercados globais.
Interesse global e potencial mineral do Brasil
Nesse contexto, o Brasil passou a ser alvo de maior interesse por parte dos Estados Unidos e de outros países, em razão de seu potencial para a exploração de minerais críticos como terras raras, cobre, níquel e nióbio. A mesma fonte afirmou que o governo brasileiro se prepara para iniciar conversas visando a uma possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, e que o tema poderá integrar a pauta, caso seja prioritário para os estadunidenses.
O Ministério de Minas e Energia informou que está aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais “em consonância com os interesses nacionais e com os princípios do desenvolvimento econômico e social do país”. A pasta acrescentou que a atuação brasileira é orientada pelo fortalecimento da cooperação internacional, pela atração de investimentos, pelo desenvolvimento tecnológico e industrial e pela inserção do Brasil nas cadeias globais de valor.
Estratégia estadunidense e financiamento bilionário
Segundo o ministério, esse diálogo envolve diferentes parceiros, incluindo Estados Unidos, União Europeia, China e outros atores estratégicos. Paralelamente, comissões de diversas partes do mundo têm procurado mineradoras instaladas no Brasil e promovido reuniões com o Instituto Brasileiro de Mineração, que representa empresas como Vale, BHP e Anglo American.
No caso específico das terras raras, o Brasil possui a segunda maior reserva global, atrás apenas da China, embora ainda conte com poucos projetos em desenvolvimento. Na segunda-feira, Donald Trump lançou um pacote estratégico dos Estados Unidos para minerais críticos, denominado Projeto Vault, com US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos EUA e US$ 2 bilhões em recursos privados.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que 55 países participaram das negociações em Washington, entre eles Coreia do Sul, Índia, Tailândia, Japão, Alemanha, Austrália e República Democrática do Congo, todos com diferentes capacidades de mineração ou refino.


