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CGU entra em apuração do Banco Central sobre liquidação do Banco Master

Órgão de controle vai acompanhar investigação interna do BC e pode abrir PAD contra servidores. Caso envolve suspeitas de fraudes e negócios com BRB e Reag

Vinicius de Carvalho (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)

247 - O escândalo envolvendo o Banco Master passou a ser monitorado pela Controladoria-Geral da União (CGU), após o Banco Central acionar o órgão para acompanhar uma investigação interna sobre os fatores que levaram à liquidação da instituição comandada por Daniel Vorcaro. A atuação da CGU busca examinar os procedimentos adotados pelo BC e avaliar a conduta de integrantes da autoridade monetária durante o processo de apuração, informa o jornal O Globo

Neste estágio inicial, o trabalho da CGU está concentrado em verificar se a apuração conduzida dentro do Banco Central segue as normas e protocolos estabelecidos, com base na análise de documentos produzidos ao longo do processo. Dependendo dos resultados encontrados, o caso pode avançar para a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra servidores do BC e até resultar em demissões.

A apuração ocorre em paralelo à investigação sigilosa aberta pelo Banco Central no fim do ano passado. O objetivo do BC é obter um diagnóstico mais detalhado do caso Banco Master, identificar falhas e aprimorar regras e mecanismos de controle para evitar novos episódios semelhantes no futuro.

Durante o andamento da apuração, os dois chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) solicitaram a saída de suas funções, depois de terem sido afastados previamente. Até agora, no entanto, não há acusações formais contra nenhum servidor ou dirigente.

Procurado pelo O Globo, o Banco Central declarou que “a alternância de nomes em cargos comissionados é uma prática normal no âmbito da administração pública”.

Divergências internas no BC sobre responsabilidades

O caso também expôs divergências dentro do próprio Banco Central sobre o papel desempenhado pela área de supervisão bancária no escândalo. Segundo integrantes do BC, há uma divisão na avaliação da responsabilidade do Desup.

De um lado, parte dos servidores defende que o departamento cumpriu seu papel ao identificar indícios de supostas fraudes na carteira de crédito envolvendo o Banco Master e o BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal. De outro, há quem sustente que a reação do BC poderia ter sido mais rápida, considerando que os problemas de captação e dificuldades financeiras do Master se estenderam por quase um ano.

Cerco apertado e intensificação de operações suspeitas

Em novembro de 2024, o Banco Central aumentou a pressão sobre o Banco Master e determinou que a instituição adotasse medidas para corrigir desenquadramentos em relação às regras bancárias, especialmente ligados à recorrente falta de recursos para honrar obrigações financeiras.

A partir desse momento, as investigações indicam que teriam se intensificado operações consideradas suspeitas envolvendo fundos de investimentos ligados à gestora Reag e o BRB. Ambos negam qualquer prática irregular.

Mesmo com essas transações, as operações não foram suficientes para garantir a continuidade do Banco Master no mercado, que acabou caminhando para a liquidação.

Tentativas frustradas de solução de mercado

Após o fracasso nas negociações entre o Banco Master e o BRB, o Banco Central buscou alternativas para uma solução de mercado, tentando viabilizar a aquisição do banco por outra instituição financeira.

A única proposta considerada concreta teria vindo de um consórcio liderado pela holding Fictor, que entrou em recuperação judicial nesta semana e passou a ser investigada pela Polícia Federal. A proposta, porém, foi rejeitada pelo Banco Central.

Com isso, a autoridade monetária determinou o encerramento das atividades do Banco Master. O banco passou a ser investigado por supostas transações fraudulentas envolvendo o BRB e a gestora Reag, que também entraram no radar da Polícia Federal.

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