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Dia da Indústria reforça aposta do governo Lula na reconstrução produtiva e na Nova Indústria Brasil

Programa busca reindustrializar o País, estimular inovação, gerar empregos de qualidade e recolocar o Brasil no centro das cadeias globais de valor

Lula e Geraldo Alckmin em visita à linha de produção da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 – O Dia da Indústria, celebrado neste 25 de maio, ocorre em um momento simbólico para o Brasil: após décadas de desindustrialização, perda de competitividade e reprimarização da economia, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a reindustrialização no centro da estratégia nacional de desenvolvimento. A principal expressão dessa política é a Nova Indústria Brasil (NIB), programa lançado em 2024 para reconstruir a capacidade produtiva nacional, ampliar a inovação tecnológica e fortalecer a soberania econômica do País.

A data homenageia Roberto Simonsen, industrial e intelectual que defendia o planejamento econômico e a industrialização como caminhos para o desenvolvimento nacional. Mais de oito décadas depois, a discussão volta ao centro do debate político e econômico diante do avanço da chamada neoindustrialização verde, da disputa tecnológica global entre Estados Unidos e China e da necessidade de o Brasil voltar a produzir bens de maior valor agregado.

O governo Lula sustenta que não haverá crescimento sustentável sem indústria forte. Nas últimas décadas, a participação da indústria de transformação no PIB brasileiro despencou, acompanhada pela perda de complexidade tecnológica, fechamento de fábricas e aumento da dependência de commodities exportadas sem processamento industrial relevante.

A Nova Indústria Brasil surge justamente como resposta a esse processo. Coordenada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), a política industrial prevê investimentos públicos e privados, financiamento subsidiado, estímulos à inovação e metas de desenvolvimento em setores estratégicos até 2033.

Entre as prioridades da NIB estão:

  •  transição energética; 
  •  bioeconomia; 
  •  saúde e complexo industrial farmacêutico; 
  •  defesa; 
  •  infraestrutura; 
  •  agroindústria; 
  •  semicondutores e transformação digital; 
  •  mobilidade sustentável; 
  •  indústria verde. 

O plano prevê mobilização de cerca de R$ 300 bilhões em financiamentos por meio do BNDES, Finep, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outros instrumentos públicos. O objetivo é criar um novo ciclo de investimentos produtivos, geração de empregos qualificados e fortalecimento tecnológico.

Reindustrialização como projeto de soberania

A estratégia do governo Lula vai além da simples retomada da produção industrial. O discurso oficial associa a indústria diretamente à soberania nacional. Em diversas ocasiões, Lula afirmou que países desenvolvidos são aqueles que dominam tecnologia, produção industrial e inovação.

“O Brasil não pode ser eternamente exportador de produtos primários”, declarou Lula em eventos ligados à política industrial. O presidente também tem defendido a combinação entre crescimento econômico, transição ecológica e inclusão social.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tornou-se um dos principais articuladores da Nova Indústria Brasil. Segundo ele, o programa busca inserir o País nas novas cadeias globais ligadas à economia verde, inteligência artificial, hidrogênio verde, baterias e combustíveis sustentáveis.

A equipe econômica do governo avalia que a indústria possui efeito multiplicador superior ao de outros setores, impulsionando produtividade, inovação, arrecadação e empregos de maior remuneração.

Brasil tenta recuperar espaço perdido

O desafio, no entanto, é enorme. Nas últimas décadas, o Brasil perdeu participação relativa na indústria global enquanto países asiáticos avançaram rapidamente. A participação da indústria de transformação brasileira no PIB, que já superou 25% nos anos 1980, caiu para níveis próximos de 10%.

Especialistas apontam vários fatores para o processo:

  •  juros elevados historicamente; 
  •  câmbio desfavorável; 
  •  ausência de planejamento industrial contínuo; 
  •  abertura comercial desorganizada; 
  •  baixo investimento em inovação; 
  •  desmonte de cadeias produtivas nacionais; 
  •  financeirização da economia. 

O governo Lula argumenta que o chamado “Estado indutor” voltou a ser necessário diante da reorganização da economia mundial. Estados Unidos, União Europeia e China passaram a adotar políticas industriais agressivas, com subsídios bilionários para setores considerados estratégicos.

Nesse cenário, integrantes do governo defendem que o Brasil não pode permanecer apenas como exportador de soja, minério de ferro e petróleo bruto, sem desenvolver cadeias industriais associadas à tecnologia e à agregação de valor.

Transição energética e indústria verde

Um dos pilares da Nova Indústria Brasil é a transformação ecológica. O governo aposta no fato de o Brasil possuir vantagens competitivas importantes na produção de energia limpa, biocombustíveis, minerais estratégicos e potencial de descarbonização industrial.

A chamada indústria verde tornou-se prioridade tanto para o Palácio do Planalto quanto para o BNDES. O banco estatal ampliou financiamentos voltados à transição energética, indústria automotiva sustentável, produção de SAF (combustível sustentável de aviação), hidrogênio verde e modernização fabril.

O debate ganhou ainda mais relevância diante da corrida global por tecnologias limpas e das novas exigências ambientais impostas pelo comércio internacional.

O governo também tenta conectar a política industrial à geração de empregos qualificados e à revalorização do trabalho industrial. A avaliação interna é que a reconstrução da capacidade produtiva pode reduzir vulnerabilidades externas e aumentar a resiliência econômica brasileira.

Neoindustrialização ganha dimensão geopolítica

A retomada industrial brasileira também ocorre em meio à reorganização geopolítica global. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, as disputas por semicondutores, minerais críticos e cadeias tecnológicas recolocaram a indústria no centro das estratégias nacionais.

Dentro do governo Lula, há entendimento de que o Brasil precisa aproveitar a multipolaridade e a expansão do BRICS para ampliar investimentos, transferência tecnológica e integração produtiva.

A aproximação com a China, principal parceiro comercial do Brasil, também é vista como oportunidade para atração de investimentos industriais e desenvolvimento tecnológico em áreas estratégicas.

Ao mesmo tempo, o governo tenta equilibrar inserção internacional com fortalecimento da produção doméstica, evitando maior dependência externa em setores sensíveis.

Indústria volta ao centro do projeto nacional

O Dia da Indústria de 2026 marca, portanto, uma mudança importante no debate econômico brasileiro. Após anos em que o setor perdeu prioridade nas políticas públicas, a reindustrialização voltou a ocupar posição central no projeto de desenvolvimento nacional defendido pelo governo Lula.

A Nova Indústria Brasil representa a principal tentativa de reconstruir a capacidade produtiva do País em bases tecnológicas, sustentáveis e soberanas. O sucesso da estratégia dependerá da continuidade dos investimentos, da estabilidade macroeconômica, da redução estrutural dos juros e da capacidade de coordenação entre Estado, setor privado, universidades e centros de inovação.

Para o governo, o objetivo é claro: transformar o Brasil novamente em uma potência industrial relevante no século XXI.

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