Diesel: risco de desabastecimento em abril diminui, dizem importadores
Cenário melhora com chegada de navios e refinarias operando no limite, mas preços elevados ainda pressionam inflação e frete
247 - O risco de falta de diesel no Brasil ao longo de abril diminuiu, segundo avaliação da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), em meio ao aumento da operação das refinarias e à previsão de chegada de novos navios com o produto. O cenário, que antes gerava preocupação devido à menor entrada de cargas no país, agora é considerado mais estável, embora ainda haja desafios relacionados aos preços, segundo Míriam Leitão, do jornal O Globo.
De acordo com o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, a combinação entre maior produção interna — tanto da Petrobras quanto de refinarias privadas — e o cronograma de importações trouxe maior previsibilidade ao abastecimento. “A programação de volume dá mais tranquilidade em relação ao mês de abril. Não há motivo para alarde”, afirmou.
A entidade destaca que boa parte do diesel importado atualmente vem da Rússia, que tem oferecido o produto com descontos. Ainda assim, os valores praticados no mercado internacional não são suficientes para eliminar a defasagem em relação aos preços domésticos, que pode chegar a 60%, com diferença próxima de R$ 3 por litro.
Mesmo com a melhora no abastecimento, a alta do diesel continua sendo um fator de pressão sobre a inflação e os custos logísticos, especialmente no transporte de alimentos. Diante desse cenário, o governo avalia possíveis medidas, embora reconheça limitações para intervenções mais amplas no curto prazo.
Araújo também apontou mudanças no comportamento do mercado, com distribuidoras assumindo maior risco ao importar combustível diante da disposição de alguns consumidores em pagar mais caro. “E acredito que as distribuidoras já testaram o mercado e perceberam que alguns consumidores estão dispostos a pagar um preço acima do praticado pela Petrobras. Quando as distribuidoras veem essa disposição de pagar mais, acabam assumindo o risco e trazendo mais produto. Eles continuam preferindo comprar da Petrobras, mas, na falta, preferem pagar mais caro do que ficar sem produto”, explicou.
A demanda por diesel segue aquecida, impulsionada tanto pela antecipação de compras quanto pelo aumento da atividade econômica. O início da colheita de soja e de outros grãos, por exemplo, eleva significativamente o consumo do combustível em diversas regiões do país.
Relatos pontuais de dificuldade de abastecimento também foram registrados, mas, segundo a Abicom, nem sempre estão ligados à falta efetiva do produto. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a mudança na previsão da colheita do arroz elevou a demanda de forma inesperada, pegando distribuidoras despreparadas. Além disso, a expectativa de novos aumentos de preços levou consumidores a anteciparem compras, intensificando a pressão sobre o mercado.
Para o presidente da entidade, muitos desses episódios estão mais relacionados à dificuldade de negociação do que à escassez em si. “Ou seja, o problema não é necessariamente escassez. Em muitos casos, o consumidor não quer ou não consegue pagar o preço mais alto. Isso gera reclamações que chegam aos sindicatos, à imprensa e até ao Ministério Público”, concluiu.


