Ex-presidente do BRB nega à PF ter sofrido pressão de Ibaneis no caso Master
"Toda a decisão foi técnica", disse o ex-presidente do BRB
247 - O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou em depoimento à Polícia Federal, prestado em dezembro e divulgado na quinta-feira (29) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que não sofreu qualquer tipo de pressão política relacionada à tentativa de aquisição envolvendo o banco Master.
"Toda a decisão foi técnica. Como a gente falou, essa era a terceira tentativa de aquisição de uma instituição financeira. A gente iniciou com compra de carteira, foi entendendo a forma de funcionamento [do Master], viu que existia uma oportunidade de que parte do Master poderia agregar ao modelo de negócio do BRB", disse.
Segundo Paulo Henrique Costa, a iniciativa partiu do próprio controlador do banco Master, Daniel Vorcaro, que procurou o BRB e colocou a instituição à disposição para uma eventual aquisição.
"O Master nos provocou, em 3 de janeiro, formalmente, e, a partir daí, a gente estabeleceu todo o procedimento usual de M&A [sigla inglesa para "Fusões e Aquisições"]: criação de grupo de trabalho, contratação de assessores, envolvimento das diversas áreas do banco", disse.
Costa negou qualquer tipo de intervenção ou interferência de sua parte, e que o relacionamento entre ele e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
"O governador é acionista, eu fazia pontos de controle com ele e reportava as iniciativas que a gente tinha do banco. Então, seja um papel meu de prestação de contas, eu não levaria adiante uma tentativa de aquisição de um banco sem que isso fosse comunicado ao acionista controlador", explicou.
Segundo ele, as referências ao Master partiam de iniciativa própria, e não do governador. "Eu tinha pontos de controle periódicos com o governador, normalmente fazia uma lista de assuntos que eu precisava tratar com ele e, normalmente, quando tinha alguma novidade relacionada a esse assunto, levava. Ou quando tivesse um fato específico", disse.
Em novembro, uma operação da Polícia Federal envolveu dirigentes do Banco Master e do BRB, sob acusação de um esquema que poderia ter gerado perdas superiores a R$ 10 bilhões para o banco público.
O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial decretada pelo BC em 18 de novembro, e, no mesmo dia, seu dono, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso em uma operação deflagrada pela PF para investigar suspeita de fraudes bilionárias. Vorcaro posteriormente foi solto, mas cumpre medidas cautelares.
Em setembro, o BC havia rejeitado a compra do Master pelo BRB, que fora anunciada em março, após concluir análise acerca da capacidade financeira da instituição para fazer frente ao negócio.(Com informações da Reuters).


