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FGC enfrenta pressão com rombo bilionário após liquidações do Will Bank e Banco Master

Estimativa de quase R$ 50 bilhões em ressarcimentos compromete cerca de 30% dos recursos do fundo garantidor

FGC enfrenta pressão com rombo bilionário após liquidações do Will Bank e Banco Master (Foto: Divulgação)

247 - O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) enfrenta uma das maiores pressões financeiras de sua história recente após a decretação de liquidação extrajudicial do Will Bank e do Banco Master. O montante necessário para honrar os ressarcimentos a clientes das duas instituições se aproxima de R$ 50 bilhões, valor que corresponde a quase um terço dos recursos atualmente disponíveis no fundo, segundo dados mais recentes. As liquidações foram determinadas pelo Banco Central e envolvem garantias a correntistas e investidores dentro dos limites previstos pela legislação, relata o Metrópoles.

De acordo com o balanço patrimonial mensal do FGC referente a setembro de 2025, o último divulgado, o fundo contava com R$ 160 bilhões em caixa. Questionado, o FGC informou que, com base no censo de novembro de 2025 apresentado pela Will Financeira, o valor estimado para pagamento aos clientes da instituição é de aproximadamente R$ 6,3 bilhões. No caso do Banco Master, a garantia pode resultar em um desembolso de R$ 40,6 bilhões, totalizando cerca de R$ 46,9 bilhões para cobrir as duas liquidações.

O FGC funciona como um mecanismo de proteção aos usuários do Sistema Financeiro Nacional, assegurando o ressarcimento de determinados depósitos e investimentos em caso de falência ou liquidação de instituições financeiras. O fundo é mantido por contribuições mensais das instituições associadas — atualmente mais de 220 — que depositam o equivalente a 1 ponto-base (0,01%) sobre o saldo dos depósitos elegíveis. A cobertura é limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição, com um teto adicional de R$ 1 milhão por CPF em um período de quatro anos.

Em nota, o FGC alertou que o vínculo societário entre a Will Financeira e o Banco Master pode reduzir o valor efetivamente pago a alguns clientes. “Especificamente, os clientes que adquiriram produtos elegíveis a garantia do FGC antes da aquisição pelo Banco Master, em 21/8/2024, têm a garantia preservada. A partir de 22/8/2024, nos casos em que o cliente possua produtos em ambas as instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil”, afirmou o fundo.

A entidade acrescentou ainda que, “caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro”. A consolidação das informações finais, segundo o próprio fundo, só ocorrerá após o trabalho do liquidante a ser nomeado pelo Banco Central.

A liquidação extrajudicial do Will Bank foi determinada pelo Banco Central em 21 de janeiro, em razão do agravamento de sua situação financeira e da relação de controle exercida pelo Banco Master, que já estava sob regime especial. “Tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”, justificou o Banco Central.

O Banco Master teve sua liquidação decretada em 18 de novembro de 2025, no contexto de investigações que apontaram um suposto esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional. A defesa da instituição nega as acusações. Segundo dados históricos do próprio FGC, entre março de 1996 e setembro de 2025, o fundo já ressarciu 4,255 milhões de clientes de 40 instituições financeiras que passaram por regimes especiais, incluindo liquidações.

Entre os produtos cobertos pelo FGC estão valores mantidos em conta-corrente, poupança, CDBs, RDBs, LCIs, LCAs, letras hipotecárias, letras de câmbio, contas salário e operações compromissadas emitidas após março de 2012. Já aplicações como títulos públicos, fundos de renda fixa, debêntures, CRIs, CRAs e depósitos no exterior não contam com a proteção do fundo. Com base nos dados mais recentes, referentes a novembro de 2025, o FGC informa que avaliza um total de R$ 2,604 trilhões em depósitos e investimentos no sistema financeiro brasileiro.

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