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FGC espera ressarcir investidores do Banco Master já na próxima semana, diz presidente

Daniel Lima diz não haver prazo formal, mas que o FGC trabalha para atender todos que já solicitaram ressarcimento

Daniel Lima, presidente do FGC (Foto: Divulgação/FGC)

247 - O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) trabalha com a expectativa de atender, já na próxima semana, todos os investidores do Banco Master que protocolaram pedidos de ressarcimento junto à instituição. Embora não estabeleça um prazo oficial para a conclusão do processo, o fundo afirma que a prioridade é dar vazão às solicitações já registradas.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o presidente do FGC, Daniel Lima, disse que o cronograma depende diretamente da iniciativa dos investidores. “Não tem prazo para concluir, até porque a gente não tem controle sobre os pedidos”, afirmou. “A nossa ambição é, na semana que vem, talvez atender todo mundo que já deu entrada no aplicativo. Essa é a ambição, mas não é um prazo.”

Meta envolve três instituições liquidadas pelo Banco Central

O objetivo do FGC abrange os três CNPJs do grupo Master liquidados pelo Banco Central em novembro do ano passado: Banco Master S.A., Banco Master de Investimentos e Letsbank. A estimativa é de que o volume total de garantias alcance cerca de R$ 40,6 bilhões. Até a quinta-feira (29), o fundo já havia desembolsado R$ 32,5 bilhões.

Segurança reforçada evitou fraudes nos pagamentos

De acordo com Daniel Lima, não houve até o momento registro de fraude consumada nos pagamentos realizados pelo fundo. Ele reconheceu, no entanto, que tentativas de golpe foram identificadas durante o processo, o que levou o FGC a emitir alertas em parceria com entidades do sistema financeiro.

“A gente viu tantos eventos no ano passado que ficou preocupado com os nossos pagamentos”, disse. “Eram R$ 40 bilhões, bastante dinheiro, chamaria bastante atenção. Então, a gente teve um cuidado muito especial com esse tema, com os níveis de segurança.” Segundo o executivo, o reforço nos mecanismos de controle reduz o risco de pagamentos indevidos ou duplicados.

Milhares de investidores ainda não solicitaram ressarcimento

O presidente do FGC explicou que o processo de ressarcimento é operacionalmente complexo. Até agora, cerca de 100 mil investidores que estariam aptos a receber os valores ainda não apresentaram solicitação formal. O fundo só pode efetuar o pagamento após o pedido do beneficiário, dentro de um prazo legal de até cinco anos.

Will Bank amplia impacto financeiro do caso

Além do Banco Master, o FGC também terá de arcar com os pagamentos referentes ao Will Bank, liquidado pelo Banco Central no último dia 21. Ainda não há data definida para o início dos ressarcimentos, pois o fundo aguarda a lista de investidores elegíveis a ser elaborada pelo liquidante. As garantias relacionadas ao Will Bank devem somar cerca de R$ 6,3 bilhões, elevando o custo total do caso para aproximadamente R$ 47 bilhões.

A substituição temporária do liquidante do grupo Master, anunciada pelo Banco Central, não deve afetar o andamento do processo. “Isso não impacta, porque é o time dele que compila a lista. Ele vai compilar, nossos times aqui vão apoiar, da mesma forma que fizemos nas outras liquidações”, afirmou Lima.

FGC projeta liquidez robusta após os pagamentos

Mesmo após a conclusão dos ressarcimentos, o FGC deve manter uma posição financeira considerada confortável. A expectativa é que a liquidez do fundo fique próxima de R$ 80 bilhões. “A gente tem conforto de discutir essa recomposição do fundo, que vai ser feita, mas não precisa ser feita de maneira açodada”, disse o presidente do fundo.

O gasto total com as garantias do Banco Master e do Will Bank pode chegar a R$ 47 bilhões. Considerando também operações de assistência previstas para 2025, esse valor pode atingir R$ 55 bilhões, diante de uma liquidez aproximada de R$ 122 bilhões, conforme o último dado público disponível.

Além disso, o FGC ainda conta com cerca de R$ 26 bilhões em seu Fundo de Resolução, que pode ser acionado em caso de necessidade. Para Daniel Lima, apesar do impacto financeiro, o encerramento do caso Master elimina um risco relevante do radar do sistema financeiro.

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