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Galípolo rebate acusações dos EUA e defende PIX: "terá de ser aceito"

Declaração ocorre após investigação dos EUA sobre o PIX e ameaça de novas tarifas ao Brasil

Galípolo rebate acusações dos EUA e defende PIX: "terá de ser aceito" (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
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247 - O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (25) que os sistemas de pagamento instantâneo, como o PIX, representam uma tendência mundial e que sua expansão deverá ser naturalmente incorporada por outros países. A declaração foi dada em resposta aos questionamentos feitos pelo governo dos Estados Unidos ao sistema brasileiro. 

Segundo o G1, durante sua participação em um evento, Galípolo afirmou que o Banco Central tem colaborado com as autoridades norte-americanas, disponibilizando informações técnicas para esclarecer o funcionamento do PIX, que passou a ser alvo de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos e que integra a justificativa para a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

"O Banco Central vem disponibilizando gente e tempo para estar auxiliando nas explicações necessárias ao governo americano. O PIX coloca o Brasil em uma posição que em poucas coisas o Brasil tem essa possibilidade de estar na fronteira do que há de mais moderno e é exemplo pro resto do mundo, e o PIX é um deles", declarou.

Galípolo diz que o PIX inspira outros países

Ao defender o sistema brasileiro, o presidente do Banco Central ressaltou que diversos países vêm desenvolvendo mecanismos semelhantes e que muitos buscam conhecer a experiência brasileira para implementar soluções próprias. "Vários países do mundo vêm aqui entender como a gente fez e copiar. Mas o Brasil não é o único que tem. Hoje, vários países têm", afirmou.

Segundo Galípolo, a expansão dos pagamentos instantâneos faz parte de uma transformação natural do sistema financeiro internacional. "Me parece que é um processo de evolução meio natural, a gente está vendo vários outros bancos centrais e autoridades tentarem seguir esse movimento. Parece algo que, com o tempo, terá de ser devidamente aceito e incorporado", acrescentou.

Entenda as críticas dos Estados Unidos ao PIX

A investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) questiona o fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador e operador do PIX. Segundo o governo estadunidense, essa estrutura poderia favorecer o sistema brasileiro e limitar a atuação de concorrentes privados.

A apuração faz parte da justificativa apresentada pelos Estados Unidos para propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que determinadas práticas adotadas pelo Brasil restringiriam ou onerariam o comércio com empresas dos EUA.

Especialistas, porém, afirmam que não existem fundamentos técnicos consistentes para contestar o PIX. Na avaliação deles, a ofensiva estaria relacionada à concorrência com grandes empresas de tecnologia e bandeiras internacionais de cartões, além do sucesso alcançado pelo sistema brasileiro.

Lula cobra conversa com Donald Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou, no início de junho, a decisão dos Estados Unidos e afirmou esperar uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da medida.

"Viram que eu entrei aqui com essa faixa: 'O PIX é do Brasil'. É porque ontem [segunda], o presidente americano, numa atitude intempestiva — porque nós estávamos negociando depois da minha visita ao presidente [Donald] Trump — de forma intempestiva, anunciou um aumento de taxação das coisas brasileiras para 25%, com base numa mentira", afirmou Lula.

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