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Governo avalia corte de impostos para conter alta de passagens aéreas

Proposta busca reduzir custos do setor diante da alta do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio

Silvio Costa Filho (à esq.) e Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Divulgação)

247 - O governo Lula (PT) avalia a adoção de medidas tributárias para evitar o aumento das passagens aéreas diante da elevação do preço do petróleo no mercado internacional, influenciada pelo conflito no Oriente Médio. A proposta envolve a redução de impostos que impactam diretamente os custos das companhias aéreas, especialmente o querosene de aviação (QAV), principal insumo do setor, informa o jornal O Globo.

O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta que amplia ações já adotadas recentemente para conter a alta do diesel. A iniciativa inclui a redução de tributos e outras medidas para aliviar custos operacionais das empresas aéreas, em um cenário de pressão sobre os preços devido à escalada do petróleo.

O plano prevê a diminuição do PIS e Cofins incidentes sobre o QAV até o fim do ano, a zeragem da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empresas aéreas e a redução do Imposto de Renda aplicado ao leasing de aeronaves. Ainda não há estimativas oficiais sobre o impacto fiscal dessas medidas nem definição de como compensar a eventual perda de arrecadação.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), afirmou que a proposta tem como objetivo “preservar o equilíbrio econômico-financeiro das empresas, sem interferir diretamente na formação do preço do QAV ou nos sinais de mercado”.

A nota técnica elaborada pela pasta destaca que a valorização do petróleo exerce impacto direto sobre os custos da aviação. O documento aponta que “o aumento da cotação internacional do petróleo tem impactos diretos e significativos sobre o preço do querosene de aviação (QAV)”.

Segundo o texto, a alta dos combustíveis afeta toda a estrutura do setor aéreo: “A alta do petróleo e do QAV eleva o custo estrutural do transporte aéreo; reduz a capacidade de absorção de custos pelas companhias; provoca reajustes tarifários graduais, porém persistentes; e afeta de forma mais severa rotas regionais e mercados menos competitivos. Choques prolongados no preço do petróleo tendem a se traduzir em tarifas aéreas mais elevadas e em menor oferta de voos, com impactos econômicos e territoriais relevantes”.

As medidas sugeridas incluem a edição de dois decretos e uma medida provisória. O pacote será analisado pela equipe econômica, que ficará responsável por calcular os impactos orçamentários antes de eventual encaminhamento ao presidente Lula.

A iniciativa ocorre após o governo já ter anunciado, no dia 12, um conjunto de ações para conter a alta do diesel, também pressionado pela crise internacional. Entre as medidas estão a redução a zero do PIS e da Cofins sobre o combustível e o pagamento de subvenções a produtores e importadores.

Para compensar a renúncia fiscal, o governo prevê a cobrança de imposto de exportação sobre petróleo e diesel. A estimativa é de impacto de R$ 6,8 bilhões em quatro meses com a desoneração do diesel, além de R$ 10 bilhões em subsídios, compensados por uma arrecadação de R$ 15,6 bilhões com a taxação das exportações no mesmo período.

Caso as medidas sejam mantidas até o fim do ano, o custo total pode alcançar R$ 30 bilhões, com compensação equivalente via tributação sobre vendas externas de combustíveis.

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